Populações dos bairros em Assembleia da Vida Justa
A primeira Assembleia Popular dos Bairros, promovida pelo movimento Vida Justa, permitiu reconhecer problemas e exigências comuns, apontando um plano de acção para conquistar melhores condições.
A palavra de ordem «Estamos juntos, estamos fortes» nasceu na luta
No domingo, dia 24, desde manhã e até final da tarde, cerca de trezentas pessoas reuniram-se no Centro Cultural de Carnide, em Lisboa, unidos sob a palavra de ordem «Estamos juntos, estamos fortes», nascida nos combates que consolidaram o movimento Vida Justa. A reunião foi precedida, nos últimos dois meses, de reuniões e outras iniciativas em bairros da Área Metropolitana de Lisboa, onde os moradores se mobilizam a exigir soluções para problemas muito sentidos no seu dia-a-dia.
Estes problemas marcaram o início e o final dos trabalhos, em plenário, e foram discutidos em seis grupos de trabalho: habitação, imigração, violência policial, transportes, poder popular nos bairros e salários, preços e serviços públicos.
Em simultâneo, decorreu uma «assembleia» de crianças, que desenharam os seus cartazes e reivindicações para «um bairro melhor».
A informalidade, na forma como decorreu a assembleia, não impediu que se notasse o trabalho de preparação e estruturação, desde a recepção e inscrição, ao documento prévio distribuído, até à organização dos grupos de trabalho, com dinamizadores e porta-vozes. Uma comissão de redacção vai nos próximos dias tratar o conteúdo da discussão nos grupos, que depois será divulgada nos meios do movimento.
No plenário da manhã, foi feito um minuto de silêncio por Odair Moniz (baleado por um polícia a 21 de Outubro, na Cova da Moura) e todas as pessoas que são vítimas de violência policial nos bairros.
Numa nota de imprensa, foram destacados os pontos essenciais do plano de acção, saído da Assembleia Popular dos Bairros, a começar pela convocação de «uma grande marcha dos bairros, que, durante o mês de Março, vai percorrer os territórios populares da Área Metropolitana de Lisboa, com manifestações e acções políticas».
Vai ser desencadeado «um processo de trabalho, bairro a bairro, que terminará numa nova Assembleia Popular dos Bairros, de forma a aprofundar a capacidade de juntar as pessoas dos territórios populares para conseguirem conquistar uma vida melhor».
Foi ainda decidido realizar uma campanha para acabar com as «Zonas Urbanas Sensíveis» (classificação policial muito criticada, como factor de exclusão e discriminação) e um campeonato de futebol dos bairros, para reivindicar espaços de desporto. Haverá luta por creches e espaços verdes nos bairros. Vai-se avançar para a criação de uma rádio, um jornal e uma «mixtape» dos bairros.
Prosseguirá o esforço para mobilizar as populações pelo direito á habitação e contra os despejos.
E «faremos uma festa, porque faz parte da nossa luta».