Greves elevam reivindicações salariais e por direitos

Trabalhadores de cantinas e refeitórios, da Nobre Alimentação, da Segurança Social, bombeiros sapadores, carteiros e professores, entre outros, recorreram à greve para fazerem ouvir as suas exigências.

Com unidade, organização e luta firme, a razão faz-se ouvir melhor

É comum a reivindicação de aumentos salariais. Direitos, que estão colocados em causa e é preciso defender, acabam por ter igualmente implicações no valor do trabalho.

Em dia de greve nacional – com elevada adesão, que provocou o encerramento de várias centenas de cantinas e refeitórios escolares e teve impacto em hospitais, empresas e serviços públicos -, um numeroso grupo de trabalhadores do sector da alimentação colectiva (cantinas, refeitórios e fábricas de refeições) reuniu-se no dia 11, durante a manhã, junto do Parque de Exposições de Aveiro, na altura em que começou o Congresso da associação patronal AHRESP.
A jornada de luta foi promovida pela FESAHT/CGTP-IN, para exigir a negociação do contrato colectivo, sem perda de direitos e com melhores salários e novos conteúdos, o que tem sido recusado, há duas décadas, pelos dirigentes patronais.

Também na sexta-feira, em Rio Maior, decorreu na Nobre Alimentação a 15.ª greve em defesa do caderno reivindicativo, apresentado no ano passado. A falta de evolução da posição patronal, patente no silêncio da administração perante as moções aprovadas nas últimas cinco greves, levou os trabalhadores, organizados no SINTAB, a decidirem marcar dois dias de greve, a 4 e 5 de Novembro, que representarão seis dias de paragem consecutivos.

Trabalhadores do atendimento da Segurança Social (distrito de Lisboa) e do Centro Nacional de Pensões, organizados no STFPSSRA e em luta contra a degradação do serviço e pela valorização de funções e carreiras, fizeram greve, no dia 11, com uma adesão de 90 por cento e encerramento de grande parte dos serviços. No exterior do edifício-sede, na Avenida 5 de Outubro, teve lugar uma concentração, onde interveio Sebastião Santana, coordenador da FNSTFPS e da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.
Numa nota informativa, o Instituto de Gestão Financeira da Educação defende o cálculo do valor da hora lectiva extraordinária com base num horário que contém também a componente não lectiva. Esta ilegalidade vem reforçar a importância da adesão dos professores à greve às horas extraordinárias, afirmou a FENPROF, numa nota de dia 10, denunciou outros abusos nesta matéria.

«Até que haja uma proposta concreta e passível de ser discutida e melhorada, o plano de luta vai continuar», disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, ao confirmar que a greve dos bombeiros sapadores, iniciada dia 1, prossegue até final do mês. Nuno Almeida, citado pela agência Lusa, explicou que é necessário rever o Estatuto dos bombeiros profissionais, actualizando os valores da tabela remuneratória, reconhecendo o risco de desgaste rápido e melhorando o regime de aposentação.
Anteontem, dia 15, uma delegação do STML, acompanhada por vários bombeiros, entregou na AR uma petição e reiterou a exigência de uma proposta concreta do Governo.

Os carteiros do Centro de Distribuição Postal de Palmela e Pinhal Novo completam hoje um mês de greve, às duas primeiras horas de trabalho, exigindo melhores condições, pioradas após a recente mudança de local de trabalho. «Os CTT não se mostram preocupados e as correspondências começam a acumular-se», afirma-se no folheto que, durante a luta, foi distribuído à população.



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