Esperem do PCP firme combate ao Governo que só favorece os mais ricos
Sábado, em Silves, Paulo Raimundo referiu números e exemplos que mostram como o Governo PSD/CDS «faz muito e faz rápido», mas para favorecer os grupos económicos e os mais ricos, à custa da grande maioria.
Em quatro anos, a redução do IRC dará 4500 milhões de euros aos grupos económicos
O Secretário-Geral do PCP interveio perante mais de quatro centenas de pessoas, no final do jantar-comício realizado no Castelo de Silves, na amena noite de 27 de Julho, no âmbito das iniciativas que a Direcção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do Partido promove durante o Verão, para divulgação das posições políticas dos comunistas, promoção do Avante! e da Festa do Avante!.
As intervenções políticas foram antecedidas pela música de Luís Galrito e António Hilário, com temas seus e canções populares de outros autores, muito conhecidas de um público que alegremente entoou vários refrões. Antes, a abertura da iniciativa fora marcada pelo grupo de percussão Percutunes.
Carla Benedito, em nome da Comissão Concelhia de Silves do PCP, saudou os presentes e chamou ao palco: Margarida Cortes, da JCP; Ana Godinho, Tito Coelho e Luísa Conduto Luís, da Concelhia do Partido; Tiago Raposo e Bruno Pereira, da Concelhia e da DORAL; Marco Jóia, do Secretariado da DORAL; Joana Sanches, do Comité Central; Celso Costa, do CC e responsável da ORAL; Jorge Pires, da Comissão Política do CC; Rui Braga, do Secretariado do CC, e Paulo Raimundo.
Eles gabam-se...
«Este Governo tem-se gabado muito de muito fazer, em pouco tempo», começou por observar o Secretário-Geral do Partido, logo contrapondo que «faz muito, faz rápido, para os grupos económicos, para os mais ricos, para quem mais ganha», «para esse punhado que vai acumulando os lucros à custa da exploração, da especulação, da asfixia sobre as micro, pequenas e médias empresas, do esbulho dos recursos do País».
No entanto, «para a imensa maioria do nosso povo, para os trabalhadores, para os jovens, para os reformados, para os agricultores, para os pescadores, para os pequenos empresários, para os imigrantes, para essa grande maioria que cá vive e trabalha, o Governo PSD/CDS tem seguido as piores pisadas do anterior Executivo do PS, quase sempre com a cumplicidade de CH e IL que disputam entre si o campeonato do reaccionarismo».
Neste contexto, «o PS enche o peito de proclamações, pensando que o povo tem memória curta, propõe agora aquilo que recusou ainda há poucos meses e todos os dias mostra vontade, em nome da estabilidade política, que é como quem diz, em nome dos interesses do grande capital, de dar a mão ao Governo, se o Chega não quiser».
Paulo Raimundo assegurou que «firme combate é o que este Governo, a sua política e todos os seus agentes podem esperar da nossa parte».
A INAPA, com anunciada insolvência, foi referida como «mais um caso paradigmático» da «política que só encontra folgas orçamentais para o grande capital, mas, quando se trata de salvaguardar o sector empresarial do Estado, ou empresas com importante participação pública, vem hipocritamente falar em querer proteger os contribuintes». É um argumento «inaceitável», por parte de quem permite à Segurança Social «financiar a Autoeuropa, através de um lay-off abusivo».
Também a proposta de redução do IRC, para 15 por cento, vem evidenciar «quem está sempre pronto a colocar os interesses dos grupos económicos acima dos interesses do povo e do País». Se tal medida fosse aplicada aos lucros da GALP em 2023, esta «teria um alívio fiscal, só nos seis primeiros meses deste ano, que poderia ir até aos 60 milhões de euros».
Nos quatro primeiros anos de aplicação dessa redução, haverá 4500 milhões de euros que ficam nos bolsos dos grupos económicos, protestou Paulo Raimundo, frisando que «este novo pacote do Governo não acelera a economia, o que acelera é o assalto que os grupos económicos estão a fazer ao povo». Acrescem, lembrou o dirigente comunista, os 1600 milhões de euros oferecidos, por ano, em benefícios fiscais aos grandes grupos económicos.
Continuar a juntar forças
Em nome da DORAL do PCP; Bruno Pereira assinalou que «o Algarve é a região turística por excelência, mas é também uma das regiões de Portugal com profundas desigualdades e injustiças sociais».
Devido a «um modelo de desenvolvimento económico baseado no turismo», «suportado por uma política de direita praticada por PS, PSD e CDS», a realidade dos trabalhadores é marcada por baixos salários, trabalho suplementar, desregulação de horários, precariedade dos vínculos, ataques a direitos. Isto leva «a que os grupos económicos do turismo aumentem os seus lucros» e a que «quem criou essa mesma riqueza esteja a empobrecer a trabalhar e passe por dificuldades económicas».
O PCP persiste na exigência da «subida imediata de todos os salários e melhoria das condições de trabalho», valorizando lutas realizadas e marcadas para os próximos dias, com destaque para a Águas do Algarve, a indústria conserveira, os enfermeiros e a hotelaria.
Bruno Pereira recordou as dificuldades impostas ao Serviço Nacional de Saúde, incluindo o atraso na construção do Hospital Central do Algarve, enquanto prospera o negócio da doença. Saudou o fim das portagens na Via do Infante, embora tardiamente e dependendo do que constar no Orçamento do Estado para 2025.
Nesta situação, «tem sido com o PCP e a CDU que os trabalhadores e as populações do Algarve contam e podem contar, para fazerem valer os seus direitos e interesses». «Importa continuar a ter iniciativa, ter mais acção e presença na rua, reforçar a luta», apelou, sublinhando que «é preciso continuar a juntar forças contra a política de direita, com todos os que connosco convergem», bem como «em torno do distinto projecto autárquico da CDU», cujo valor está patente no trabalho da maioria que governa o concelho de Silves.