PCP pronto para enfrentar os problemas de todos os dias

No dia 30, um périplo pela região do Tâmega e Sousa levou Paulo Raimundo a um encontro com trabalhadores das pedreiras em Boelhe, Penafiel, um almoço em Telões, Amarante, e um comício em Freamunde, Paços de Ferreira. Os problemas concretos de quem vive e trabalha no interior do distrito do Porto e os desafios colocados ao colectivo partidário estiveram na ordem do dia.

O PCP está, esteve e estará sempre ao lado de quem trabalha

«Estamos aqui, praticamente 15 dias depois das eleições para o Parlamento Europeu (PE), onde, contra a vontade de alguns, a CDU está presente.» Foi assim que Paulo Raimundo iniciou a sua intervenção no almoço realizado na Escola Secundária Amadeo de Souza Cardoso.

«No resultado que obtivemos», continuou, «está inserida a coragem de todos aqueles que conseguiram ver para lá das cortinas de fumo, da hipocrisia, da mentira, deturpação e do ataque feroz que só um partido como o nosso está, esteve e estará em condições de enfrentar». «Mas também está», sublinhou, «a coragem daqueles que trouxeram para o debate do PE a realidade da vida: os salários, reformas, as dificuldades na habitação, as questões da saúde, produção nacional, agricultura, pescas e da soberania».

«As eleições passaram e os problemas da vida real continuam aí como sempre dissemos que estariam. Com tudo isso, temos um Governo que está empenhado em tudo menos em resolver cada um dos problemas», afirmou, acusando o actual executivo de perseguir apenas dois grandes interesses: «abrir novas oportunidades de negócio e responder aos interesses dos grandes grupos económicos». Sobre isso, o PCP nunca teve nenhuma ilusão.

«Aqui está o PCP, com a mesma cara de sempre, com a mesma determinação, na afirmação dos problemas concretos da vida das pessoas. Não temos duas caras. Contem com a coerência, determinação, coragem, projecto e ideal deste Partido», assinalou ao concluir.

Em Freamunde

No Parque Urbano de Freamunde, o Secretário-Geral insistiu nas questões que mais se reflectem na vida das pessoas: «Num momento em que o grande capital procura acentuar o seu domínio, aqui está o PCP, empenhado em levar por diante uma forte dinâmica e intervenção em torno dos problemas concretos». Mas para isso, como afirmou Paulo Raimundo, é preciso «mais Partido nas empresas» e é preciso que «cada um, com a sua acção, dê ainda mais força ao trabalho do Partido, que é o mesmo que dizer, mais força ao povo e aos trabalhadores».

Já Alfredo Maia, deputado comunista eleito pelo distrito do Porto, enunciou propostas do PCP para resolver alguns dos principais problemas daquela região: a abolição das portagens na A28, A29, A51 e A42; o restabelecimento da linha de comboio do Tâmega, entre Amarante e Livração; a construção da linha do Vale do Sousa; o regresso do serviço de passageiros à Linha de Leixões; a conclusão do IC35.

Bruna Ribeiro, da Comissão de Freguesia de Freamunde do PCP e eleita na Assembleia de Freguesia, abordou o trabalho da CDU naquela autarquia.

 

Ao lado dos trabalhadores das pedreiras

De manhã, na freguesia de Boelhe, o PCP esteve (como tantas vezes anteriores) com os trabalhadores das pedreiras dos concelhos de Penafiel e Marco de Canaveses. Numa sala cedida pela Junta de Freguesia, que acabou por se revelar pequena para os cerca de 40 trabalhadores presentes, foi possível ouvir relatos pungentes sobre os problemas que massacram o já pesado dia-a-dia dos trabalhadores deste sector. Falou-se de doenças profissionais, como a silicose (provocada pela presença de sílica e outras partículas nos pulmões) ou as tendinites e problemas de coluna derivados do esforço, e de outras questões que se prendem com o futuro do sector.

No entanto, e como deixou claro Alfredo Maia, num enquadramento geral realizado na abertura da sessão, muitas das questões enumeradas pelos pedreiros (ver depoimentos) não são novidade para o PCP, que há décadas acompanha estes profissionais.

Um dos objectivos principais no encontro, como anunciou o deputado, foi perceber o ponto de situação dos problemas de acesso à reforma antecipada e sem penalização dos trabalhadores das pedreiras – um direito alcançado em 2018, graças a uma proposta do PCP de alteração à proposta de lei do Orçamento do Estado para 2019, mas que continua a ser travada na sua plenitude pelo Centro Nacional de Pensões.

Valorizar os trabalhadores e aumentar salários

«Podemos dizer que isto é uma evidência e que não é nada de novo, mas é bom que nos lembremos dela sempre: quem põe o País a funcionar, quem cria a riqueza e garante que a economia funciona é o trabalhador e mais ninguém», começou por afirmar Paulo Raimundo, a quem coube encerrar o encontro. «Se são os trabalhadores os responsáveis por que tudo isto ande», continuou, «então deveriam ser mais bem pagos e os primeiros a serem valorizados e respeitados».

«Quem está fora da realidade encontra sempre justificações para empurrar este ou aquele problema, mas quem recusa as vossas exigências é porque não está a ver bem como é a realidade das vossas vidas e deste sector, a realidade de quem começou a trabalhar muito cedo e com um esforço físico muito grande», acrescentou.

«Apesar dos muitos problemas e dificuldades que aqui foram descritos, a realidade é que ao contrário do que antes se passava, e apesar das dificuldades que continuam a persistir, a realidade de hoje é melhor do que aquela anterior à aprovação da lei da reforma antecipada», apontou ainda o Secretário-Geral comunista, concluindo que esse é mais um exemplo de que vale sempre a pena lutar.

«Em todo este processo, podem contar sempre com o PCP, para o que der e vier. Cá estaremos para as boas alturas e para as batalhas difíceis. Não faltámos, não faltamos e nunca faltaremos ao combate», garantiu a finalizar.

 

Testemunhos

«Gostava de saber quantos patrões estão aqui presentes. Nenhum? Sabem porquê? Porque estão todos a sugar o sangue do pedreiro. Nem sequer se lembram que os pedreiros estão todos na casa dos 60 anos, todos velhos. Se esta lei tivesse sido aprovada há 15 ou 20 anos, se calhar tínhamos muito mais gente a trabalhar na pedra.»

«Porque é que não há pedreiros novos? Porque não há regalias.»

Manuel Martins, 55 anos, pedreiro há 40, encarregado de empresa

«Não percebo como é que só fui chamado a uma junta médica depois quatros anos de meter os papéis para as doenças profissionais passados pelo meu médico de família. Só me pagaram passados outros dois anos.»

«Foi-me atribuída doença profissional, mas não tenho direito a nenhum subsídio.»

«Tenho um problema na coluna por todo o esforço que sempre fiz. Trabalho desde os 14 anos e antigamente pegávamos nas pedras ao ombro. Os exames e os relatórios comprovam que os meus problemas são resultado de esforço, mas a junta médica diz que os meus problemas devem-se ao desgaste natural do tempo. Mais nada.»

Elísio Silva, 53 anos, pedreiro há 30, arrumador de granito

«Tenho um colega que trabalhava comigo que meteu a papelada ao mesmo tempo do que eu, trabalhava para os mesmos patrões, reformou-se. Como não estou no perímetro da pedreira, não consigo ter acesso.»

«A lei não é igual para todos. Já pedi [o acesso à reforma] sete vezes e ainda não consegui».

Arlindo Sousa, 59 anos, pedreiro há 45, cortador de pedra

«Antigamente, a pedra vinha bruta de Alpendurada e era transformada aqui. Não quero dizer que os trabalhadores que tiram a pedra da pedreira não tenham desgaste, mas quem transforma a pedra também sofre muito. Aqui trabalhávamos para patrões que tinham a empresa em nome individual, às vezes sem Código de Actividade Económica (CAE). Quando metemos os papéis para a reforma antecipada, o tempo nessas empresas não é contabilizado e também nunca estivemos no perímetro da pedreira.»

«Tenho tendinites, uma doença profissional. Meto a papelada e recebo uma carta de Lisboa a dizer que a minha profissão não tem nada a ver com as tendinites. Passados dois anos recorri. Desta vez já tinha calcificações no meio dos tendões e voltaram-me a dizer o mesmo: é doença natural».

«A primeira vez que acusei silicose nos pulmões foi há quatro anos. Ainda não fui chamado.»

Alcino Queirós, 52 anos, pedreiro há 33 anos, operador de máquina de partir pedra





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