PCP exige na Feira Nacional de Agricultura condições para quem produz

Produção nacional, apoios aos pequenos agricultores, defesa da agricultura familiar e reposição das direcções regionais de agricultura foram questões que estiveram em destaque na visita de Paulo Raimundo, no dia 16, à 60.ª edição da Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém.

«Não desistimos do País e dos agricultores»

«Andando por aqui, conseguimos perceber aquilo que já sabíamos: é que existem muitas capacidades e possibilidades para aumentar a produção agrícola. Temos muitas condições, até naturais e em alguns casos únicas, no nosso país para que isso aconteça», salientou Paulo Raimundo, acrescentando que, acima de tudo, o País tem ainda uma questão fundamental: «gente que ama a terra e o trabalho que faz, agricultores que conhecem a terra como ninguém.

O Secretário-Geral falava aos jornalistas a meio da sua visita àquela que é uma das maiores feiras agrícolas do País, apontando três elementos fundamentais para concretizar este incremento da produção.

«A primeira condição é olhar para estes produtores e aumentar o seu rendimento. Não podemos continuar com situações como as que ainda agora foram descritas. De produtos que são comprados ao produtor por 17 cêntimos e depois têm, na venda ao consumidor, um aumento de 800 por cento», explicou. «É o aumento dos preços de compra aos produtores que os valorizará a eles e à capacidade de produção. Esta é uma questão central, não vale a pena evitá-la», acrescentou.

«É preciso também que os apoios sejam melhor distribuídos», alertou o dirigente comunista, voltando a sua atenção para a Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia. «Não podemos manter esta realidade em que sete por cento de quem recebe esses apoios concentre cerca de 70 por cento das ajudas», continuou. «Temos uma realidade no nosso País em que a agricultura familiar tem muito peso e o maior número de agricultores. Além disso tem um papel único na ocupação dos território», recordou, frisando que a PAC tem de ser «alterada e adequada à realidade nacional».

«É preciso que este novo Governo deixe de anunciar para passar a concretizar. Temos um executivo que anuncia muito todos os dias, mas que, infelizmente, está a entrar numa rotina de quem faz muito pouco. Faz pouco para conter os custos de produção e faz pouco para aumentar o valor da produção aos pequenos agricultores», criticou. «Precisamos de opções que correspondam às necessidades da maioria do nosso povo, dos trabalhadores e, neste caso, da maioria dos agricultores. E não de uma governação que tenha como objectivo governar para uma pequena minoria, seja esta a dos grandes proprietários ou dos grandes grupos económicos, onde está inserida a grande distribuição», completou.

Proximidade aos agricultores
Respondendo a questões ligadas às direcções regionais de agricultura, Paulo Raimundo afirmou que a sua extinção foi um «erro do anterior governo», que deveria ser revertido pelo actual executivo, até porque «se trata de uma oportunidade de criar condições para uma maior proximidade entre os agricultores e o Estado». Por sua vez, esta maior proximidade, explicou, permitiria aos agricultores melhores condições para fazerem aquilo que melhor sabem fazer: produzir.

«Os agricultores querem produzir e precisam de apoio técnico para o fazer. Isso não se faz à distância, não se faz a partir de Lisboa ou de mais três ou quatro regiões. Faz-se no terreno, no concreto, aqui em Santarém e nos outros distritos do País», finalizou.

 

Em discussão com a CNA

Durante a visita, numa das muitas dezenas de bancas que compunham a FNA, o Secretário-Geral do PCP teve ainda oportunidade de se encontrar com o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Pedro Santos. Na conversa ganhou centralidade o tema dos preços pagos à produção, depois, os praticados na venda aos consumidores. Surgiu, em particular e entre muitos outros casos, o exemplo da couve lombarda, cujo valor pago ao agricultor é de 17 cêntimos por kg, enquanto o consumidor paga por ela qualquer coisa como 1,5 euros. A diferença entre um valor e outro significa um aumento de 818 por cento, de que os grupos da grande distribuição se apropriam na sua larga maioria.

Oportunidade também para a CNA apresentar as suas 8 Medidas para a Agricultura Familiar e para o Mundo Rural:

1. Preços justos à produção para rendimento justo de quem alimenta as populações;

2. Defesa de áreas úteis utilizadas pelos compartes e cumprimento da lei dos Baldios;

3. Uma PAC justa com ajudas só para quem produz;

4. Cumprir o Estatuto da Agricultura Familiar;

5. Indemnização pelos prejuízos causados por animais selvagens;

6. Direito ao acesso à terra, aos recursos naturais e a um ambiente equilibrado para produzir e promover a Soberania Alimentar de Portugal;

7. Devolver a Casa do Douro aos viticultores durienses;

8. Um único Ministério da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural forte e serviços públicos de qualidade no Mundo Rural.

 



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