Abril é mais futuro

Manuel Rodrigues

No discurso com que encerrou o Congresso do CDS-PP em Viseu, o dirigente do CDS, Nuno Melo, anunciou que, finalmente, o velho sonho da direita reaccionária de comemorar o 25 de Novembro, se vai concretizar no próximo ano.

Para isso, sublinhou, vai falar com Luis Montenegro para que seja constituída uma comissão com a missão de fazer uma comemoração «plural e justa, feita de militares e feita de civis», por uma uma questão de justiça.

«Em 2024 celebraremos os 50 anos do 25 de Abril. Em 2025, devemos celebrar – e não esquecer – os 50 anos do 25 de Novembro», disse sua excelência. Insistiu que o CDS-PP celebra todo os anos esta data como algo «quase identitário», que «o 25 de Novembro foi um movimento militar que salvou a democracia em Portugal». E, para que não restassem dúvidas, rematou dizendo tratar-se de uma verdadeira continuação do 25 de Abril.

Todos sabemos que a direita revanchista e reaccionária sonha há 49 anos com um 25 de Novembro – que, graças sobretudo ao papel responsável do PCP e à dinâmica das massas, não cumpriu os objectivos a que esta aspirava (a própria Constituição que consagrou os avanços e conquistas de Abril só viria a ser aprovada e promulgada a 2 de Abril de 1976) – que liquidasse liminarmente tudo o que se mantém dos avanços e conquistas de Abril e, sobretudo, impedisse a afirmação dos seus valores, que estão vivos como se viu nas comemorações do seu quinquagésimo aniversário.

O que querem é que se apague o 25 de Abril, os nomes dos militares, a começar pelos que mais se destacaram no impulso a esses avanços (a começar por Vasco Gonçalves), o papel insubstituível e determinante do PCP, o papel da aliança povo-MFA, o decisivo papel das massas e do MFA nas transformações democráticas concretizadas.

Podem até criar a tal comissão; escolher alguns dos mais brilhantes expoentes da nata reaccionária para pronunciar os bafientos discursos de que têm saudades; conseguir grande projecção mediática nos órgão da comunicação social que o grande capital (verdadeiro promotor deste projecto) controla. Não terão consigo as massas, aquela imensa multidão que no 25 de Abril encheu as ruas, praças e avenidas deste País, afirmando os valores de Abril e gritando: 25 de Abril, sempre! fascismo, nunca mais!

 



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