Que é isto?

Filipe Diniz

A AD colocou no seu programa eleitoral matérias relativas à vida interna e à actividade de outros partidos. Diz: «Alargar normas anticorrupção aos partidos políticos […]». E mais adiante: «Criar um código de conduta para os agentes políticos, os partidos e as campanhas eleitorais, que estabeleça princípios e regras éticas para a comunicação política, e que preveja […] monitorização e de denúncia de casos de desinformação e de fake news».

Uma cortina de fumo de quem quer que se ache que todos são a mesma camarilha.

Sabem bastante de corrupção. Entre várias coisas, dizem querer condicionar a porta-giratória entre cargos políticos e cargos na administração de empresas (alargar «o período de nojo para o exercício de funções em entidades privadas relacionadas com a sua área de actuação») engrenagem em que há muito estão bem oleados.

Combater a corrupção, certo. Sobretudo se se tiver presente que a corrupção é, antes de mais, um fenómeno intrínseco ao capitalismo. Constatação que deixaria a AD – e outros – em coma.

Campanhas eleitorais de mentira, falsificação de factos, agitar de espantalhos? Não foi o Chega que as inventou, os partidos do «arco da governação» têm larga prática nelas. E, nos dias de hoje, quem seria competente para identificar fake news? Uma comissão indicada pela AD? O que subjaz aqui paira por toda a UE: à conta de fake news condenar, desautorizar, silenciar qualquer informação e opinião divergente. Institucionalizar a prática censória. O problema da política mentirosa existe, mas não com o PCP. A luta política resolvê-lo-á.

Cheira francamente a esturro que a AD presuma instituir normas a outros partidos, seja na base de que justificação for. Quanto maiores os telhados de vidro, maior o vezo autoritário. E o que está à vista não é apenas retrocesso social e económico. É ameaçador retrocesso democrático.

 



Mais artigos de: Opinião

Festa do Avante!, festa de Abril, da cultura, da fraternidade e da paz

Aí estamos, a dinamizar a divulgação da Festa do Avante!, afirmando por todo o País a sua realização nos dias 6, 7 e 8 de Setembro – na Atalaia, Amora Seixal –, com a sua identidade de sempre e sempre com novos motivos de interesse para nela participar. No ano em que se assinala o 50.º...

Pela verdade, custe o que custar

Os sinistros acordes dos tambores da guerra continuam a soar, e cada vez mais alto. A corrida aos armamentos e a construção de uma «economia de guerra», em que a NATO e a União Europeia estão empenhadas, chegam a ser apresentadas como «oportunidade a não perder» para modernizar e desenvolver o País, e aqueles que votaram...

Deus, Pátria e Família

«Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a Família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever. (…) Mas o homem na vida doméstica, no trabalho, na Nação, é obrigado a organizar a sua ordem. Devido ao...

Quantos pobres são necessários?

A revista Forbes divulgou mais uma vez a lista das pessoas mais ricas do mundo, altamente elucidativa do actual nível de concentração da riqueza e desigualdades sociais. «Que grande ano para os bilionários do mundo», afirma a publicação. Não é para menos. O número de bilionários é agora o maior de toda a História: 2781....

Portas que se abriram

[Eu vou votar porque] «a Europa nos traz muitos benefícios, não só nas políticas, mas também na sociedade, o que também dá para promover outras coisas que, se não estivéssemos na Europa não conseguíamos fazer». Esta afirmação, feita em resposta à pergunta se vai votar e porquê, por uma jovem, numa escola, no final de um...