Que é isto?
A AD colocou no seu programa eleitoral matérias relativas à vida interna e à actividade de outros partidos. Diz: «Alargar normas anticorrupção aos partidos políticos […]». E mais adiante: «Criar um código de conduta para os agentes políticos, os partidos e as campanhas eleitorais, que estabeleça princípios e regras éticas para a comunicação política, e que preveja […] monitorização e de denúncia de casos de desinformação e de fake news».
Uma cortina de fumo de quem quer que se ache que todos são a mesma camarilha.
Sabem bastante de corrupção. Entre várias coisas, dizem querer condicionar a porta-giratória entre cargos políticos e cargos na administração de empresas (alargar «o período de nojo para o exercício de funções em entidades privadas relacionadas com a sua área de actuação») engrenagem em que há muito estão bem oleados.
Combater a corrupção, certo. Sobretudo se se tiver presente que a corrupção é, antes de mais, um fenómeno intrínseco ao capitalismo. Constatação que deixaria a AD – e outros – em coma.
Campanhas eleitorais de mentira, falsificação de factos, agitar de espantalhos? Não foi o Chega que as inventou, os partidos do «arco da governação» têm larga prática nelas. E, nos dias de hoje, quem seria competente para identificar fake news? Uma comissão indicada pela AD? O que subjaz aqui paira por toda a UE: à conta de fake news condenar, desautorizar, silenciar qualquer informação e opinião divergente. Institucionalizar a prática censória. O problema da política mentirosa existe, mas não com o PCP. A luta política resolvê-lo-á.
Cheira francamente a esturro que a AD presuma instituir normas a outros partidos, seja na base de que justificação for. Quanto maiores os telhados de vidro, maior o vezo autoritário. E o que está à vista não é apenas retrocesso social e económico. É ameaçador retrocesso democrático.