Negociação firme e em unidade com resultados positivos

Aumentos salariais e consolidação de direitos foram alcançados pelos trabalhadores da Logística e da Assistência Técnica, no Grupo Super Bock. Houve resultados positivos também no Funchal e na SCML.

A melhoria dos salários é obtida com preservação dos direitos


O SINTAB revelou ontem que a proposta final, aprovada em plenário pelos trabalhadores da Rangel que operam a área logística da Super Bock Bebidas, em Leça do Balio (Matosinhos), garante ganhos efectivos líquidos de mais de cem euros mensais. O cálculo decorre da incidência, no trabalho nocturno e por turnos, de um aumento salarial de 75 euros.

O acordo «consolida os ganhos da luta dos trabalhadores , em função da sua assumpção de classe e organização sindical».

Desde 2019, recorda o sindicato da FESAHT/CGTP-IN, os trabalhadores da logística, então com vínculo à empresa LETA, em outsourcing, conseguiram regulamentar a sua prestação de trabalho e, por duas vezes, rechaçaram tentativas de transmissão de estabelecimento (mudança da empresa a quem era adjudicado o serviço) sem cumprimento de regras.

Neste período, «além de manterem direitos a cada transmissão de estabelecimento», estes trabalhadores «têm tido aumentos salariais acima do aumento do salário mínimo nacional (SMN), melhorado a remuneração do trabalho por turnos e em laboração contínua, o subsídio de refeição e assegurado ainda alguns direitos extra», realçou o SINTAB.

Os trabalhadores e o sindicato continuam a defender, como se recorda na nota de imprensa do sindicato, que o vínculo do pessoal da logística deve ser com a Super Bock, para quem trabalham em exclusivo, em alguns casos, há mais de 20 anos. Aplicar a contratação colectiva que se aplica nesta empresa «garantia ganhos consideráveis de rendimento» aos trabalhadores.

Com as negociações do Acordo de Empresa concluídas na Unicer Assistência Técnica, «retomou-se o caminho de valorização das funções, afastando-se novamente do SMN», salientou o SINTAB, na semana passada, notando que o salário de entrada naquela empresa do Grupo Super Bock é agora superior a mil euros.

O sindicato recordou, numa nota de imprensa de dia 20, que durante mais de 15 anos, sem organização sindical, as remunerações na Unicer AT fizeram o percurso inverso, aproximando-se cada vez mais do SMN. Há dois anos, conseguiram um Acordo de Empresa, deixando de ser aplicado apenas o Código do Trabalho.

No entanto, também no caso da empresa que assegura a manutenção dos equipamentos de bebidas nos pontos de venda, a nível nacional, a reivindicação prioritária é a conquista dos mesmos direitos que vigoram para os trabalhadores da Super Bock.

Transportes do Funchal

Concluída a negociação da actualização salarial anual para o transporte de passageiros e turistas, com a associação patronal ACIF, foi conseguido «um acordo que valoriza os salários de todos, sem perda de qualquer direito», salientou o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Actividades Metalúrgicas da RA da Madeira.

Num comunicado de dia 21, o sindicato da FECTRANS/CGTP-IN afirma que foram alcançados «ganhos salariais de 1209,62 euros anuais por cada trabalhador». Houve o compromisso de aplicar os novos valores a todos os trabalhadores, sejam ou não associados do STRAMM, o que leva o sindicato a reforçar o apelo à sindicalização, para que «todos reforcem a força do sindicato de todos».

 

Médicos da SCML

Nas negociações com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul «celebrou um acordo colectivo de trabalho que defende os médicos que aí trabalham», com «as mesmas condições que exigimos relativamente aos médicos do Serviço Nacional de Saúde». Num comunicado da FNAM, emitido esta terça-feira, dia 26, realça-se que «haverá 20 por cento de aumento até Janeiro de 2025».

O sindicato e a FNAM asseguram que continuarão a «lutar para que os médicos da SCML possam ver a sua justa equiparação à da carreira médica nas unidades de saúde do SNS, melhorar as suas condições de trabalho e continuar a valorização salarial».

 



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