Histeria de guerra
A deriva belicista de EUA, NATO e UE representa a maior ameaça aos povos
Ao invés de abrir um caminho de negociação visando alcançar uma solução política para o conflito que travam na Ucrânia com a Rússia, os EUA, a NATO e a UE insistem na sua política de instigação e prolongamento de uma guerra que, recorde-se, foi iniciada com o golpe de Estado que promoveram na Ucrânia em 2014 e que conheceu novos desenvolvimentos com a intervenção militar da Rússia em 2022.
Neste contexto, sucedem-se igualmente as declarações de responsáveis políticos e militares dos EUA, assim como da UE, da NATO e de países que as integram – como a Suécia ou o Reino Unido –, que procuram criar as condições para o incremento da escalada armamentista e a aceitação da dita «inevitabilidade» de uma ainda mais ampla confrontação militar, seja na Europa, no Médio Oriente ou na Ásia-Pacífico.
Declarações que, apesar de contradições e impasses, são acompanhadas por decisões de aumento das despesas militares e de fomento da indústria armamentista, em que se inscreve a decisão da UE de mobilizar mais 50 mil milhões de euros para prolongar, senão mesmo intensificar, a guerra na Ucrânia, com os seríssimos perigos que comporta.
Recorde-se que ao longo das últimas três décadas, foram os EUA, com o apoio dos seus «aliados», que sistematicamente alargaram a NATO e colocaram a infra-estrutura deste bloco político-militar cada vez mais para Leste da Europa. Que foram os EUA que se retiraram de importantes acordos de desarmamento estabelecidos com a União Soviética e mantidos pela Federação Russa. Ou que foram os EUA e a NATO que realizaram manobras militares cada vez mais próximo das fronteiras daquele país.
É nesta grave situação que a NATO decide realizar manobras militares no Leste da Europa – anunciadas como as maiores nos últimos trinta anos – até ao final de Maio, com a participação de 90000 militares de 32 países. Manobras militares que, tendo lugar perto de um conflito em que a NATO está crescentemente envolvida, só podem representar uma acrescida provocação.
Não é só na Europa que os EUA projectam a sua multifacetada e violenta política com que procuram continuar a impor a sua hegemonia mundial, tentando contrariar, a todo o custo, o seu declínio relativo e o actual processo de rearrumação de forças que continua a desenvolver-se no plano mundial.
Constate-se a cumplicidade e o apoio dos EUA a Israel, à sua ilegal ocupação e colonização de territórios palestinianos, aos crimes e massacres que leva a cabo contra o povo palestiniano, à ilegal ocupação de territórios da Síria e do Líbano ou às suas contínuas agressões a estes e a outros países no Médio Oriente, agindo como instrumento dos EUA na região.
Constate-se o incremento da militarização, da tensão e da desestabilização que os EUA, com a NATO, promovem na Ásia-Pacífico, envolvendo cada vez mais os seus «aliados» – como o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália ou a Nova Zelândia –, visando particularmente a China, para além de outros países na região.
A deriva belicista que os EUA, a NATO e a UE levam a cabo, com os imensos perigos que comporta, representa a maior ameaça que os povos do mundo enfrentam. É fundamental que todos quantos se preocupam genuinamente com o futuro da Humanidade tenham consciência desta realidade e se mobilizem em defesa da paz.