Fim imediato à agressão contra o povo palestiniano

A trégua estabelecida entre as forças de resistência palestinianas e Israel, com a mediação de diversos países, foi prolongada para além do período inicialmente previsto. Por todo o mundo se exige o fim do massacre, que já causou milhares de mortos e feridos palestinianos, e o cumprimento dos direitos nacionais do povo palestiniano.

Só na Faixa de Gaza, a agressão israelita causou entre a população palestiniana cerca de 15 mil mortos, 36 mil feridos e 1,7 milhões de deslocados

A trégua humanitária começou a 24 de Novembro, por quatro dias, e, posteriormente, foi prolongada por mais 48 horas, até esta quinta-feira, 30, colocando-se a possibilidade de um novo prolongamento. Por todo o mundo, são muitos e diversos os apelos e ampla a exigência de um cessar-fogo imediato e definitivo.

Durante o período da trégua foi efectuado o intercâmbio de israelitas e de cidadãos de outras nacionalidades detidos pelas forças palestinianas por palestinianos detidos nas prisões de Israel, em grande parte grupos constituídos por menores de idade e mulheres.

A trégua permitiu igualmente, durante seis dias, o cessar dos bombardeamentos e ataques indiscriminados pelas forças israelitas e o fluxo de ajuda humanitária à população palestiniana cercada na Faixa de Gaza, através do posto de Rafah, na fronteira com o Egipto. Entraram neste período centenas de camiões com alimentos, equipamento médico, medicamentos e combustível, ainda assim insuficientes perante a tragédia humanitária que se verifica neste território palestiniano (ver caixa). As forças ocupantes israelitas, entretanto, prosseguiram as suas acções repressivas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, onde prosseguem os assassinatos e as detenções de palestinianos.

Numerosos países, organizações e personalidades apelaram a que se estabeleça um cessar-fogo imediato e permanente, multiplicando-se as vozes que clamam pela criação do Estado da Palestina, no cumprimento do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas, como a única via possível para se alcançar uma paz duradoura na região.

Também se luta pela paz em Israel
Em Israel, a Frente Democrática de Paz e Igualdade (Hadash) defende que as tréguas temporárias na Faixa de Gaza e a troca de prisioneiros «devem ser o início do processo de acabar com a guerra». E insiste que o acordo alcançado deve ser parte do «fim do ciclo da mortandade e o início de um processo político com a liderança palestiniana».

Em Telavive, centenas de judeus e árabes participaram na semana passada numa manifestação organizada pelo Hadash e o Partido Comunista de Israel (PCI) onde se exigiu um cessar-fogo imediato e o fim da guerra. Os manifestantes apoiaram uma troca de todos os cidadãos israelitas detidos pelas forças palestinianas por todos os palestinianos detidos por Israel.

Eleita no parlamento israelita, a deputada Aida Touma-Suleiman, do Hadash, discursou na manifestação, onde afirmou que «estamos contra a guerra. Desde o primeiro dia, dissemos que nos opomos às atrocidades e crimes cometidos contra civis. E quando civis em Gaza morrem nos bombardeamentos, condenamos também esses crimes».

Outros oradores pediram «o fim da guerra e dos assassinatos e massacres em Gaza», a queda do governo de Benjamin Netanyahu e o «reavivar da esperança de que todos nós, israelitas e palestinianos, teremos um futuro melhor de paz e igualdade».

As autoridades israelitas, polícia e tribunais, têm dificultado a realização de manifestações pela paz convocadas pelo Hadash e pelo PCI ou por entidades como a Associação de Direitos Civis em Israel.

Um dirigente do Hadash, Yousef Jabareen, jurista e antigo deputado, denunciou a «contínua vaga de prisões» pela polícia, nas últimas semanas, cujo alvo principal são jovens árabes israelitas, em especial estudantes, numa acção sistemática de «intimidação e supressão». Jabareen disse que as detenções não têm uma base legal e são parte da «cruzada de supressão contra as comunidades árabes», instigadas pelas autoridades de extrema-direita que aproveitam o actual estado de emergência em Israel para tomar tais medidas repressivas.

Entretanto, a organização de direitos civis Adalah denunciou que centenas de árabes-palestinianos, cidadãos israelitas, parte deles residentes na ocupada Jerusalém Oriental, têm sido presos, interrogados e acusados, sem qualquer fundamento, de «apoiar organizações terroristas» ou «incitamento ao terrorismo».

 

Números do horror

Desde a segunda semana de Outubro até 23 de Novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registou na Faixa de Gaza 14 854 mortos (41% crianças, 27% mulheres e 32% homens), 36 000 feridos, 2700 pessoas desaparecidas ou soterradas nos escombros (das quais 1500 crianças) e 1,7 milhões de deslocados.

No que respeita ao acesso a cuidados de saúde, 72% dos hospitais (26 em 36) não funcionam e 6% (dois em 36) estão com capacidade extremamente limitada. 65% dos centros de cuidados primários de saúde (47 em 72) não funcionam. 97% do pessoal de saúde no norte de Gaza não está operacional.

Segundo a OMS, há uma «falta crítica» de combustível e energia, água, alimentos, medicamentos e equipamentos médicos e regista-se uma ruptura na operacionalidade de equipamentos dependentes de electricidade.

Prevalece uma situação de elevado risco para a saúde pública, com 1 056 000 pessoas (de entre 1,7 milhões de deslocados) em abrigos das Nações Unidas, onde 160 pessoas partilham uma instalação sanitária e 700 pessoas partilham um chuveiro. Regista-se 66% a 96% de redução do consumo de água em relação ao período anterior ao conflito e há 400 toneladas diárias de lixo acumuladas nos campos de refugiados superlotados. «Há um risco iminente de propagação de doenças infecciosas», alerta a OMS.

Na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, no mesmo período, registaram-se 229 mortos, 2900 feridos e 1014 pessoas deslocadas à força, «num contexto de violência de colonos, regulamentos de construção discriminatórios e demolições punitivas».

Houve um aumento da violência de colonos e militares israelitas, incluindo ataques militares, bloqueio total em postos de controlo entre cidades e o cerco a várias localidades palestinianas.

O aumento do número de feridos palestinianos pressiona a necessidade de material de primeiros socorros nos hospitais. Mais de 270 pacientes da Cisjordânia necessitam de acesso a cuidados médicos em Jerusalém Oriental e em Israel. 5491 pessoas deslocadas de Faixa de Gaza para a Cisjordânia põem pressão adicional no sistema de saúde.

No período do relatório da OMS, verificaram-se 183 ataques a instalações de saúde que causaram 22 feridos entre trabalhadores de saúde. Cinco edifícios de cuidados de saúde foram afectados. E 150 ambulâncias foram afectadas, com 106 casos de acesso obstruído, 105 casos de uso de força, 27 detenções e 16 buscas por militares israelitas.

 

Abraços solidários ao heróico povo palestiniano

Em Portugal, como um pouco por todo o mundo, não abranda a solidariedade com a Palestina e a exigência de paz no Médio Oriente. Em acções de rua, debates e sessões exige-se o fim da violência e o respeito pelos direitos nacionais do povo palestiniano. Por estes dias decorre a Semana de Solidariedade com o Povo Palestiniano, convocada pelo CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído – Associação Juvenil, no âmbito da qual se realizam diversas acções.

Para ontem ao final da tarde, já após o fecho desta edição, estavam marcadas concentrações em Lisboa, na Praça do Martim Moniz, e no Funchal, no Largo dos Varadouros. Voltaremos a ambas na próxima semana.

A Semana arrancou no domingo, 26, com uma grande acção no Porto. Concentradas na Praceta da Palestina, centenas de pessoas reclamaram um cessar fogo definitivo na Faixa de Gaza e não uma mera «pausa humanitária». Denunciou-se a brutalidade da agressão israelita, que causou em 50 dias mais de 15 mil mortos, entre os quais muitas crianças, e a violência que se abate também sobre os palestinianos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental.

Na acção, dirigida por Joana Machado, intervieram Maria João Antunes, pelo MPPM, e Ilda Figueiredo, pelo CPPC. Francisco Aguiar, Olga Dias e Pedro Marques deram voz à poesia, que sempre acompanha a luta dos povos pela sua libertação – e, em particular, a do povo palestiniano. A Associação dos Mareantes do Rio Douro seguiu com o cortejo, acrescentando-lhe alegria e ânimo.

Na terça-feira, em Évora, realizou-se outra concentração, no Largo Camões.

Esclarecer e exigir
Entretanto, no dia 21, centenas de pessoas desfilaram entre o Largo da Portagem e a Praça 8 de Maio, em Coimbra, num Abraço pela paz na Palestina. Houve palavras de ordem – escritas ou entoadas –, intervenções e poesia.

Desde os primeiros dias de Outubro já se realizaram múltiplas concentrações, desfiles e manifestações em solidariedade com a Palestina: em Lisboa e no Porto, várias, mas também em Almada, Baixa da Banheira, Beja, Braga, Covilhã, Évora, Faro, Guimarães, Leiria, Montijo, Portalegre, Santarém, São João da Madeira, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu.

Em Lisboa, houve um ciclo de cinema entre os dias 21 e 23, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e um debate na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde o representante diplomático da Palestina, Nabil Abuznaid, participou igualmente na plantação de uma oliveira e no desfraldar de uma imensa bandeira palestiniana.

Depois dos homens e mulheres da cultura, são agora os profissionais de saúde portugueses a lançar um apelo a um cessar-fogo imediato e permanente e à urgente ajuda humanitária às populações e aos profissionais e serviços de saúde na Faixa de Gaza e noutros territórios palestinianos. Mais de 250 já o assinaram, mas o apelo continua aberto à subscrição em https://peticaopublica.com/?pi=PT118764.

 

Manifestação em Lisboa no dia 8

«Todos pela Palestina e pela Paz no Médio Oriente!» é o lema da manifestação marcada para o próximo dia 8, sexta-feira, em Lisboa. Convocada por CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído, a manifestação inicia-se às 15h00 no Largo Martim Moniz seguindo depois para o Largo José Saramago, em frente à fundação com o nome do escritor.

Para os promotores, a solidariedade tem de prosseguir, «independentemente do desenvolvimento da situação nos próximos dias». E apontam as exigências fundamentais: um cessar-fogo imediato e permanente; fim a novos bombardeamentos e ataques israelitas; assegurar que o massacre acabe de uma vez por todas; impedir a expulsão dos palestinianos das suas casas e terra; garantir a ajuda humanitária e a reconstrução da Faixa de Gaza; pôr fim à violência dos militares e colonos israelitas na Cisjordânia; pôr fim a 17 anos de desumano cerco da Faixa de Gaza; libertar todos os detidos.

É ainda preciso, garantem, que «após muitas décadas de promessas incumpridas, seja concretizado um Estado Palestiniano independente, com controlo soberano das suas fronteiras e recursos».

 



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