Por todo o mundo exige-se o fim do massacre em Gaza
Após três semanas, as forças israelitas continuam a bombardear indiscriminadamente a população palestiniana na Faixa de Gaza, provocando milhares de mortos, feridos e deslocados. Telavive, apoiado pelos EUA e aliados, recusa-se a cumprir a trégua humanitária aprovada pela ONU e rejeita um cessar-fogo.
Assembleia Geral da ONU apela a uma trégua humanitária imediata, duradoura e sustentada
Tropas israelitas chegaram na segunda-feira, 30, aos arredores da cidade de Gaza, entrando no território. Isso, após 23 dias de intensos bombardeamentos por terra, mar e ar que provocaram milhares de mortos, feridos e deslocados na Faixa de Gaza, além da destruição de bairros habitacionais inteiros, escolas, hospitais, mesquitas, igrejas e outras estruturas civis. Esta cruel agressão conta com a vergonhosa e clara cumplicidade, suporte, cobertura, apoio e armamento dos EUA e seus aliados.
O exército ocupante confirmou a ampliação das suas operações terrestres e a intensificação dos bombardeamentos no território, habitado por 2,3 milhões de palestinianos. Nestas três semanas, os israelitas cortaram os serviços de água e electricidade e impediram a entrada de combustível, medicamentos e alimentos na Faixa de Gaza. Um número muito insuficiente de camiões com ajuda humanitária foram autorizados a entrar no território, através do posto de Rafah, na fronteira com o Egipto.
Funcionários das Nações Unidas insistem na necessidade urgente de combustível para fazer funcionar os geradores dos hospitais, os equipamentos de purificação de água, as padarias, as ambulâncias e os veículos de limpeza.
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos denunciou, no dia 30, que os bombardeamentos israelitas do passado fim-de-semana elevaram para mais de oito mil o número de civis palestinianos mortos – dos quais mais de três mil são crianças – e incluíram ataques a três hospitais de Gaza, entre eles o de Shifa, o mais importante. Condenadas foram também as repetidas ordens de evacuação que as autoridades israelitas deram aos 10 hospitais ainda operacionais na cidade de Gaza, onde se refugiaram cerca de 117 mil deslocados internos, além de milhares de doentes e feridos.
Entretanto, subiu para mais de seis dezenas o número de funcionários das Nações Unidas mortos.
Fim à «guerra de genocídio»
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) exigiu que termine a agressão contra a Faixa de Gaza e que seja permitida a entrada de ajuda humanitária. Na abertura da reunião do Comité Executivo, o presidente Mahmoud Abbas exigiu que haja uma actuação imediata no plano internacional para deter «a guerra de genocídio e os massacres cometidos» pelos israelitas.
Reunido em Ramala, o órgão dirigente da OLP defendeu a unidade popular palestiniana perante a agressão israelita e saudou as campanhas árabes e internacionais de apoio aos palestinianos. Destacou que as causas do conflito são a ocupação, o colonialismo e a recusa dos israelitas a negociar um acordo de paz justo.
Já a organização não-governamental Save the Children denunciou, no dia 30, em Ramala, que nas últimas três semanas 3230 crianças e adolescentes palestinianos foram assassinadas pelas bombas israelitas nos territórios ocupados: mais de três mil nos bombardeamentos contra a Faixa de Gaza e outras 33 por disparos de militares e colonos na Cisjordânia. Há ainda cerca de mil crianças desaparecidas em Gaza, que se supõe estarem soterradas nas ruínas provocadas pelos bombardeamentos.
Dias antes, a directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Catherine Russel, afirmou estar horrorizada pela situação na Faixa de Gaza e apelou a um cessar das hostilidades. «Nada justifica o assassinato, a mutilação ou o sequestro de meninos e meninas, actos que a UNICEF condena sem reservas e que constituem uma grave violação dos direitos humanos», afirmou.
ONU apela a trégua humanitária imediata
A Assembleia Geral da ONU aprovou no dia 27 de Outubro uma resolução sobre a situação em Gaza apresentada pela Jordânia e outros países, que obteve 121 votos a favor, 14 contra e 44 abstenções. Foi adoptada depois de quatro projectos similares terem fracassado no Conselho de Segurança, devido ao veto dos EUA e aliados.
A resolução apela a uma trégua humanitária imediata, duradoura e sustentada que conduza à cessação das hostilidades, rejeita firmemente a deslocação forçada da população palestiniana e exige o fornecimento imediato, contínuo, suficiente e sem entraves de bens e serviços essenciais à população em toda a Faixa de Gaza, incluindo água, alimentos, suprimentos médicos, combustível e eletricidade.
Exige o cumprimento imediato e integral das obrigações ao abrigo do direito internacional, incluindo o direito humanitário internacional e o direito internacional dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, solicita «assistência humanitária imediata, completa, sustentada, segura e sem entraves» e, nesse sentido, exige acesso à agência da ONU que presta assistência aos refugiados palestinianos, à Cruz Vermelha e a outras entidades humanitárias.
A resolução rejeita qualquer tentativa de transferência forçada da população palestiniana. Além disso, destaca a importância de evitar uma maior desestabilização e escalada de violência na região.
Uma solução «justa e duradoura» só pode ser alcançada por meios pacíficos, «com base das resoluções pertinentes das Nações Unidas e em conformidade com o direito internacional, e com base na solução de dois Estados», reafirma a resolução, que Israel declarou imediatamente que não vai cumprir – tal como não cumpre, desde há décadas, dezenas de outras resoluções da ONU.
Solidariedade
em todo o mundo
Multiplicam-se por todo o mundo as manifestações contra os bombardeamentos israelitas à Faixa de Gaza e de solidariedade com os povo palestiniano e a sua luta.
Nos países mais próximos – Líbano, Jordânia, Iraque, Iémen, Qatar, Omã e Egipto – centenas de milhares de pessoas mobilizaram-se, condenaram os massacres, denunciaram a cumplicidade dos EUA e aliados e afirmaram o seu apoio à Palestina.
Mobilizações semelhantes ocorreram nos últimos dias em diferentes continentes, de Espanha, Itália, França, Reino Unido, Alemanha e outros países na Europa; à Austrália; passando pelo Brasil; pela Índia; ou pelos EUA, entre tantos outros países no mundo.