Consolidação
A palavra que promete marcar o segundo semestre de 2023 é «consolidação». Ela já está a ser disparada dia após dia. A compra da SAS Scandinavia pela AirFrance? A consolidação do sector aéreo europeu. O anúncio da próxima venda da PT pela Altice? A necessária consolidação do sector das telecomunicações na «Europa», anunciado pela novel CEO da Altice. A vantagem da venda da TAP a uma das três «eleitas»? A consolidação do sector aéreo europeu.
E consolidar soa muito bem. Muito melhor que concentrar e centralizar, que é exactamente a mesma coisa.
No mercado da habitação também existe consolidação nos fundos imobiliários. E nós sem casa. Ou em casa sem mais nada. O mercado da venda a retalho já está consolidado no plano nacional, mas ainda vai ser mais consolidado por efeitos da consolidação ao nível europeu. Consolidado, sólido e a gerar lucros como nunca. Os pescadores e os agricultores é que têm azar, que ou vendem ao preço que eles querem ou não vendem. Azar também nosso, que ou compramos ao preço que eles querem ou não compramos. E a saúde está claramente a ser consolidada, nuns poucos grupos privados, alguns já com consolidadas relações com grandes multinacionais do negócio da doença. Nós é que estamos tramados, que já quase não temos acesso à Saúde.
O caminho é sempre o mesmo: primeiro pulveriza-se, depois deixa-se «o mercado» actuar e este concentra e centraliza. Sectores inteiros mudam de mão, de uma propriedade social para uma propriedade privada em grandes multinacionais. Igualmente socializada, pois só uma construção social pode atingir tal dimensão, tal extensão.
E é isto o resultado da liberalização: o monopólio e o oligopólio. E é por isso que eles falam de consolidação em vez de falar de concentração monopolista ou centralização de capitais. Parece muito mais fixe. Mas é a mesma coisa. Expropriar o grande capital é dar sentido ao carácter cada vez mais social da sua apropriação. Se as palavras ajudassem a resolver algo, podíamos chamar-lhe consolidação socialista.