Greve na indústria das carnes exigiu aumentos, direitos e contratação
A jornada de dia 11, com forte adesão à greve e aos protestos na Nobre, na Izidoro e na sede da APIC, deixou claro que os trabalhadores e os sindicatos da FESAHT/CGTP-IN persistem na mobilização e na luta.
O Governo coloca-se do lado dos patrões, no bloqueio da contratação colectiva
A adesão à greve desta segunda-feira foi estimada em cerca de 80 por cento, por um dirigente sindical. Em declarações à agência Lusa, Marcos Rebocho, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar (STIAC)assinalou que a paralisação teve «muito impacto na produção».
No Montijo, ao final da manhã, trabalhadores de várias empresas, incluindo da Nobre e da Izidoro, concentraram-se junto da fábrica desta empresa do Grupo Monte d'Alva e desfilaram, com faixas e bandeiras, gritando palavras de ordem, até à sede da Associação Portuguesa dos Industriais das Carnes.
A negociação de um contrato colectivo de trabalho para este sector surgiu à cabeça das reivindicações, no pré-aviso de greve apresentado pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal. Como motivos da luta, a FESAHT indicou ainda: aumentos salariais dignos, 35 horas semanais, 25 dias de férias sem penalizações, defesa dos direitos e melhores condições de vida.
O dirigente do STIAC adiantou que, não estando nenhum representante da APIC disponível para receber uma moção, aprovada durante o protesto, esta foi deixada na caixa do correio e será enviada por e-mail. Vai também ser enviada uma proposta de contrato colectivo, à qual a associação patronal deverá responder no prazo de um mês.
A falta de resposta ou o seu teor poderão levar à convocação de uma nova greve, no início de Novembro, admitiu.
Antes de se dirigirem ao Montijo, os trabalhadores da Nobre Alimentação, em greve pela quinta vez este ano, reuniram-se frente à fábrica, em Rio Maior. No plenário, ficou decidido realizar nova greve, a 2 e 3 de Novembro, como informou o Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal.
Numa nota à comunicação social, o SINTAB lembrou a falta de resposta patronal às reivindicações, «mesmo depois das declarações de solidariedade dos trabalhadores das restantes fábricas do grupo na Europa».
Perante a «enorme inflação», os trabalhadores exigem «aumentos salariais que mantenham a sua capacidade económica». Querem igualmente recuperar «a perspectiva de carreira e valorização das suas funções», posta em causa com a caducidade da contratação colectiva, «promovida pelos patrões do sector, com o apoio do Governo, que bloqueia o processo de negociação há, pelo menos, cinco anos».
Uma delegação do PCP, da qual fez parte Bruno Dias, membro do Comité Central e deputado, compareceu no Montijo. Foi reafirmada, numa breve intervenção, a solidariedade do Partido com as justas reivindicações dos trabalhadores da indústria de carnes.