Confronto entre realidade e propaganda mostra urgência de respostas imediatas

O Governo tem em marcha uma «brutal campanha de propaganda» em torno de «medidas limitadas que não atacam as questões fundamentais», às quais urge dar resposta efectiva e imediata, salientou Paulo Raimundo, este fim-de-semana.

O Governo procede a uma «brutal campanha de propaganda»

O Secretário-geral do PCP esteve sábado na Feira de Monte Abraão, Sintra, e nas Festas Populares da Moita, e domingo na Feira da Luz, em Carnide, e entre contactos com comerciantes e população acusou o Governo de proceder a uma «brutal campanha de propaganda» em torno de «medidas limitadas que não atacam as questões fundamentais».

No certame que todas as semanas decorre em Sintra, Paulo Raimundo recebeu inúmeras palavras de reconhecimento e estímulo à continuação da defesa dos interesses populares. E ouviu relatos de dificuldades – no trabalho, precário, desregulado, mal pago; no acesso à habitação, cada vez mais difícil de assegurar face à escalada das rendas e dos juros dos empréstimos bancários para aquisição de casa própria.

Questão candente

De resto, a habitação foi uma matéria em destaque nos périplos pelas feiras do Monte Abraão e da Luz, com dirigentes nacionais e locais, militantes e amigos do PCP a acompanharem o Secretário-geral comunista na distribuição de um folheto sobre a matéria.

Nele se identificam os problemas e os responsáveis, apontam-se soluções imediatas e de fundo. Por isso, o dirigente comunista, em declarações à comunicação social no fim da visita à Feira do Monte Abraão, insistiu em propostas próprias que «têm impacto imediato na vida das pessoas», como uma moratória ao pagamento de capital nos empréstimos à habitação em situações de carência; a fixação de um máximo de 0,43 por cento nos aumentos das rendas e do spread da CGD em 0,25 por cento; a taxação extraordinária dos 11 milhões de euros de lucro diário da banca.

«Vamos ver o que os outros vão fazer», sublinhou Paulo Raimundo, lembrando que, quando há meses o PCP apresentou estas mesmas propostas, PS, PSD, Chega e Iniciativa Liberal votaram contra».

No domingo, na Feira da Luz, o líder do Partido voltou ao tema notando a viva contradição entre a propaganda e a vida das pessoas. Exemplo é o facto de alguns, muito levianamente, falarem sobre os problemas da habitação. Mas trata-se de um drama que precisa de medidas com efeitos imediatos, começando por pôr os lucros da banca a pagar o brutal aumento das taxas de juro, reiterou.

Neste sentido, Paulo Raimundo assegurou que as propostas do PCP serão colocadas no Parlamento, logo na reabertura dos trabalhos. Mas, alertou, para mais rapidamente serem aprovadas e concretizadas, é indispensável que as pessoas que desesperam para garantir um tecto, assumam essas propostas como suas e exijam a sua concretização.

Resolver

Na noite de sábado, o Secretário-geral do PCP visitou as festas da Moita, testemunhando uma ampla participação popular. Percorrendo ruas, esplanadas, estabelecimentos comerciais, bancas e zonas de diversão, voltou a contactar comerciantes e visitantes. E de novo ouviu queixas acerca do aumento brutal do custo de vida e das crescentes dificuldades que a maioria da população atravessa para fazer face às despesas com alimentação, habitação ou energia, ou para ter acesso àqueles que deveriam ser direitos fundamentais, desde logo a Saúde.

Nesse contexto, Paulo Raimundo defendeu soluções «para já» e não promessas vagas. Isto enquanto realçou a discrepância entre o País real e a propaganda do Governo, caso das medidas anunciadas por António Costa para a juventude (ver caixa), as quais, acusou, ignoram as questões fundamentais: o acesso ao emprego, o aumento dos salários, o combate à precariedade, o fim das propinas que muitos não podem pagar e, por isso, nem sequer ingressam no Ensino Superior, o acesso às creches, com milhares e milhares de pessoas a não conseguirem vaga para os filhos.

Atrasadas, limitadas, desajustadas

A anteceder o fim-de-semana de contactos de Paulo Raimundo com populares, nos distritos de Lisboa e Setúbal, a deputada e membro do Comité Central, Alma Rivera, reagiu às medidas anunciadas por António Costa, a semana passada, durante uma iniciativa do PS, alegadamente em favoráveis aos jovens.

Além de criticar aquelas directamente relacionadas com o ensino público (ver páginas 4 e 5), Alma Rivera considerou que «a decisão de tornar gratuito o Passe para os jovens até 23» acontece com um ano de atraso, isto porque o PS chumbou, na Assembleia da República, «a proposta do PCP nesse sentido».

Reparo mereceram, igualmente, os anúncios de «férias gratuitas nas Pousadas da Juventude para todos os estudantes que concluem o 12.º ano», que significa «um cheque em branco aos grupos económicos do turismo».

A JCP também divulgou uma apreciação sobre as iniciativas governamentais, e salientou «a falta de intenção em resolver o problema da precariedade, dos baixos salários e dos custos de frequência no Ensino Superior».

Pormenorizando no que à isenção de IRS diz respeito, a JCP alerta que só «produz efeitos em anos futuros» e «é de alcance muito limitado, visto que a maioria dos jovens trabalhadores auferem salários baixos, tornando o [seu] impacto diminuto».

«A JCP rejeita qualquer tentativa de enganar os estudantes com anúncios que não correspondem ao conteúdo das medidas, assim como falsas promessas e exercícios de propaganda que buscam iludir a juventude», e defende a necessidade de «investimento na Escola Pública, do aumento geral dos salários e do fim da precariedade, da rejeição da mercantilização da natureza».

A organização revolucionária da juventude também reclama «a garantia do direito à Habitação, à Cultura e ao Desporto, o combate à injustiça e a todas as formas de discriminação».




Mais artigos de: PCP

Lembrar as lições do Chile com os olhos postos em Abril

«O golpe fascista no Chile mostra que o grande capital, sempre que sente o seu domínio em perigo, é tentado a recorrer a todos os meios e aos maiores crimes», afirmou Paulo Raimundo na sessão evocativa dos 50 anos do golpe promovida pelo PCP no dia 11, em Lisboa.

Projectar Abril em murais colectivos

Realiza-se já no próximo sábado, 16, no espaço Maus Hábitos, no Porto, entre as 15h00 e as 16h00, uma nova oficina de azulejos para os murais colectivos que o PCP está a promover por ocasião dos 50 anos da Revolução de Abril. A iniciativa, com a concepção artística de Miguel Januário, sob o mote «Cumprir», termina com a...

Situação económica e social agrava-se no distrito de Braga

A Organização Regional de Braga do PCP alerta para a degradação da situação económica e social, confirmada pelo «crescimento do desemprego e das insolvências, pelos impactos do aumento do custo de vida e da estagnação dos rendimentos».

PCP reuniu com Ordem dos Médicos

Uma delegação do PCP, liderada por Paulo Raimundo, reuniu, na sede do Partido, com uma delegação da Ordem dos Médicos, encabeçada pelo seu Bastonário, Carlos Cortes. No final, o Secretário-Geral comunista relevou alguns aspectos do encontro, designadamente a «convergência na análise» em questões como a necessidade de...