Mantém-se a incerteza em Espanha sobre constituição do novo governo
Em Espanha, os resultados das eleições legislativas antecipadas, realizadas no domingo, 23, contrariaram a maioria das sondagens e das previsões da imprensa dominante e não asseguram a maioria parlamentar ao Partido Popular (PP), de direita, o partido mais votado, que lhe permita formar governo, mesmo aliado ao Vox (extrema-direita).
Ao contrário, o veredicto das urnas possibilita que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por Pedro Sánchez, chefe do executivo cessante, possa renovar a coligação com a esquerda, agora aglutinada no Sumar, e com partidos regionalistas, nacionalistas e independentistas, sobretudo os bascos e os catalães, com os quais se prevê complexa negociação.
O Sumar, liderado por Yolanda Díaz, ministra do Trabalho e da Economia Social e segunda vice-presidente do governo cessante, já propôs aos socialistas o início de conversações entre «todas as forças progressistas» tendo em vista a formação de um novo governo. O porta-voz do movimento, Ernest Urtasun, declarou estar convencido de que tal será possível e que não haverá novas eleições, porque isso seria dar «uma oportunidade ao PP e ao Vox» de conseguirem a maioria que não alcançaram agora.
O apuramento dos resultados das eleições mostra que o PP foi a força mais votada, conseguindo 33 por cento dos votos e 136 dos 350 lugares no parlamento, mais 47 assentos do que nas legislativas de 2019. Em segundo lugar ficou o PSOE, com 31,7 por cento dos votos e 122 deputados, mais dois do que nas últimas legislativas, ao contrário do que antecipavam as sondagens, que previam uma pesada derrota dos socialistas.
Vieram depois o VOX, com 12,4 por cento e 33 deputados (perdeu 19) e o Sumar, com 12,3 por cento e 31 eleitos (menos sete do que a coligação Unidas Podemos alcançou em 2019).
Seguiram-se a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), com 1,89 por cento e sete deputados; Juntos pela Catalunha (JxCat), com 1,60 por cento e também sete deputados; o Euskal Herria Bildu (EH Bildu), com 1,36 por cento e seis eleitos; o Partido Nacionalista Basco (EAJ-PNV), com 1,12 por cento e cinco eleitos; o Bloco Nacionalista Galego, com 0,62 por cento e um eleito; a Coligação Canária (CCa), com 0,46 por cento e um deputado; e a União do Povo Navarro (UPN), com 0,21 por cento e um deputado.
Foram às urnas, nas eleições de 23 de Julho, 70,4 por cento dos cerca de 37,5 milhões de eleitores inscritos.
Os partidos mais à direita, nomeadamente o PP e o VOX, tinham o claro objectivo de alcançar, juntos, uma maioria clara que lhes permitisse governar, à semelhança do que já fazem em diversas regiões e autarquias. Os resultados eleitorais representam uma derrota destas pretensões.
O actual governo mantém-se em funções até ser encontrada uma solução. O rei de Espanha, Felipe VI, confirmou já que iniciará depois de 17 de Agosto, data da instalação das Cortes Gerais e da posse dos deputados, uma ronda de consultas com as forças partidárias com representação parlamentar. É prerrogativa do monarca, como chefe do Estado, apresentar aos deputados a proposta de um candidato à chefia do governo, que depois tentará conseguir apoios suficientes para a sua investidura, de pelo menos 176 eleitos numa primeira tentativa.