Negócios de capital financeiro & média

Carlos Gonçalves

Com todo o respeito por muitos trabalhadores dos média dominantes que tentam fazer o seu trabalho com critérios de jornalismo, e com toda a solidariedade para quem luta por salários e direitos para todos, importa questionar porque é que os grupos económico-mediáticos vivem tantas conspirações e convulsões – algumas quase mafiosas –, de compra e venda, fusão e concentração de propriedade?

A julgar pela enésima tentativa de negócio com a Cofina-Correio da Manhã, CMTV e com a Média Capital-TVI-CNN, não há qualquer crise da comunicação social dominante em Portugal. Aliás, até constam duas linhas de negócio: ou a Cofina é comprada por capitalistas-gerentes da própria empresa, associados a Ronaldo, ou é adquirida pela Média Capital (que mantém uma oferta há meses). Os valores adiantados, em ambos os casos, rondam setenta e cinco milhões de euros. A CNVM suspendeu a venda-especulação das acções da Cofina, até que seja claro (!), porque não se conhecem os figurões e testas de ferro.

Estes são os negócios dos grupos média dominantes que continuam em alta. Os milhões reúnem-se «apenas» para mudança de propriedade dos média em questão, para alargar a influência política dos Conselhos de Administração – a favor das forças mais reaccionárias, da extrema-direita, da política de direita, do anticomunismo –, para que os «novos investidores» da «ditadura mediática» acumulem lucros e distribuam dividendos, para que se concretizem novas negociatas de muitos milhões, sempre com o silêncio cúmplice dos governos do PS e PSD. E sem que, de tanto dinheiro, algum sirva sequer para melhorar um pouco as condições e direitos dos seus trabalhadores, ou a qualidade, pluralismo e respeito pelo regime democrático dos média dominantes (pelo contrário, serve para mais despedimentos e negociatas).

As importantes lutas de 2023 dos trabalhadores dos grupos económico-mediáticos e dos média do sector público vão persistir no futuro, contra a exploração, a precariedade e o trabalho não pago, pelos direitos individuais e colectivos dos jornalistas e outros trabalhadores dos média. A luta continua, pela liberdade de expressão e de imprensa. A «ditadura mediática», mais cedo que tarde, será derrotada pela unidade e luta dos trabalhadores e do povo.

 



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