Adensa-se luta no sector da saúde
Com diferentes jornadas de luta a marcar o início de Junho, os trabalhadores do sector da saúde preparam-se agora para duas novas greves distintas: os enfermeiros nos dias 28 e 30 deste mês e os médicos a 5 e 6 de Julho.
Evitar as greves que se avizinham está nas mãos do Governo
Convocados pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) e pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), estes profissionais de saúde preparam-se para avançar com novas formas de luta em contestação à falta de respostas do Ministério da Saúde (MS) e do Governo face às suas reivindicações.
O SEP avança para duas greves, nos dias 28 e 30, ao trabalho nos turnos da manhã e da tarde. Com uma concentração agendada para o segundo dia de paralisação, em frente ao MS, os enfermeiros pretendem exigir melhores condições de trabalho, a contratação de mais profissionais e a contagem de pontos para efeitos de progressão na carreira. Segundo o sindicato, grande parte dos problemas sentidos por estes profissionais arrastam-se há bastante tempo e não viram qualquer tipo de solução desde a greve nacional realizada a 12 de Maio. O adiantamento da aposentação, o pagamento de retroactivos relativos a 2018 e a reposição da paridade salarial entre as carreiras de enfermagem e de técnico superior também estão entre as exigências.
Já os médicos avançam para dois dias de greve, a 5 e 6 de Julho – período que assinala o fim do prazo do protocolo negocial com a tutela, iniciado em Abril de 2022. Segundo a FNAM, em nenhuma ocasião o MS respondeu a questões como a actualização das grelhas salariais e a melhoria de condições de trabalho, tendo-se limitado a apresentar propostas vagas sobre a generalização das Unidades de Saúde Familiar, os horários dos médicos e a valorização da saúde pública.
Problemas locais generalizam-se
Já no início do mês, duas lutas foram realizadas no sector a nível local. No dia 1, enfermeiros e trabalhadores auxiliares do Hospital de Vila Franca de Xira, convocados pelo SEP e pelo Sindicato de Trabalhadores em Funções Públicas e e Sociais, estiveram em greve para exigir a contratação urgente de profissionais, 35 horas de trabalho semanais e igualdades de direitos na unidade que é gerida por uma Entidade Pública Empresarial há cerca de dois anos.
Em Penafiel, no dia 5, a falta de profissionais também foi motivo de contestação. Após o despedimento de 38 de 50 enfermeiros que tinham sido admitidos com contratos de seis meses, o SEP realizou uma denúncia pública, com conferência de imprensa, junto do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.
Em ambas ocasiões, delegações do PCP estiveram presentes a prestar solidariedade com a luta dos profissionais de saúde.