Endividamento das famílias bate recorde nos EUA
Enquanto o Congresso dos EUA reencena, pela 78.ª vez, a ópera bufa do tecto da dívida federal, a dívida das famílias trabalhadoras rompe os tectos da história, atingindo o valor mais alto de sempre: 17 biliões de dólares.
Esmagados pela tenaz da recessão e da inflação, são cada vez mais os trabalhadores estado-unidenses que só conseguem fazer face às despesas essenciais como a comida, a prestação da casa ou a propina, recorrendo a créditos de consumo, uma tendência que se revela especialmente nociva entre os mais jovens. Se 60 por cento dos trabalhadores estado-unidenses chega ao final do mês com a conta bancária a zeros, esse número ascende a 73 por cento se estivermos a falar dos trabalhadores com menos de 42 anos. É nesta faixa etária que o recurso a cartões de crédito está mais disseminado: 73 por cento tem dívidas a empresas de cartões de crédito.
Com a taxa de juro média dos cartões de crédito a atingir, este mês, o recorde histórico de 20 por cento, não surpreende que também venha subindo paulatinamente a percentagem de consumidores que não consegue livrar-se de todas as dívidas dos cartões de crédito no final de cada mês, pagando as dívidas antigas com dívidas novas, uma cifra negra que aumentou de 39 para 46 por cento só nos primeiros quatro meses deste ano.
Embora a comunicação social da classe dominante relativize estes recordes, sublinhando que não têm sido proporcionalmente acompanhados por falências e execuções e repetindo o adágio de que as dívidas não se pagam, gerem-se, o presságio é de crise. Pela primeira vez em duas décadas, a dívida dos cartões de crédito não baixou no primeiro trimestre do ano.
Na realidade, a situação é tão volátil que até a tradicional pantomina congressual para autorizar a elevação do tecto da dívida está mais imprevisível: segundo a MSCI, a probabilidade do incumprimento e consequente paralisia do governo federal subiu de um para dois por cento, parada de resto acompanhada pelas exigências trocadas entre diferentes sectores do grande capital para chegar ao místico «acordo bipartidário».