Ferroviários em luta na Alemanha e Reino Unido

Trabalhadores ferroviários na Alemanha e no Reino Unido prosseguem as suas acções de luta, incluindo greves, por aumentos salariais que compensem a inflação.

«Governo pensa que pode obrigar-nos a trabalhar com salários de fome ou que vamos desistir, mas isso não acontecerá»

Na Alemanha, o Sindicato Ferroviário e de Transportes (EGV) reivindica aumentos salariais para os trabalhadores do sector e prossegue acções de luta que incluem «greves de advertência».

O sindicato anunciou no dia 13 a «suspensão momentânea» de uma greve de 50 horas, marcada para começar no dia seguinte e que seria uma das mais longas do sector na história recente de país.

A suspensão deveu-se a um acordo com a empresa estatal Deutsche Bahn (DB) relativo ao regresso a negociações salariais e estabelecido junto do Tribunal do Trabalho de Frankfurt. Na véspera, a empresa interpôs um recurso de última hora em tribunal com o objectivo de travar a greve e perante a possibilidade de interrupção completa das ligações ferroviárias de longa distância e de cancelamento de quase todos os comboios que operam a nível regional durante o período da paralisação.

Apesar da anulação temporária da greve, houve restrições nos transportes ferroviários nos dias seguintes, devido à reprogramação dos horários de cerca de 50 mil ligações.

A nova etapa da luta dirigida pelo EGV vem no seguimento da greve que em finais de Abril paralisou o tráfego ferroviário na Alemanha.

O EGV representa 230 mil trabalhadores, tanto da companhia DB como de outras 50 empresas ferroviárias regionais. Uma responsável do sindicato, Cosima Ingenschay, explicou que os trabalhadores avançaram para a greve perante o impasse nas negociações iniciadas com o patronato há dois meses. Face à proposta dos sindicatos de um aumento salarial de 12 por cento ou de um mínimo de 650 euros mensais, a DB contrapõe aumentos proporcionais de 8 a 10 por cento, além de um pagamento único de 2850 euros compensatório da inflação acumulada.

Greves de maquinistas atingem toda a Inglaterra
No Reino Unido, os maquinistas de comboios anunciaram novas greves e exigem o reconhecimento dos sacrifícios de todos os trabalhadores de sectores essenciais durante a pandemia de COVID-19.

«Fizemos um grande sacrifício durante a pandemia e, como trabalhadores essenciais, sentimos que merecemos um aumento agora. A opinião pública britânica está com os trabalhadores. Fazemos greves juntos, os médicos, enfermeiros, motoristas de autocarro, maquinistas e outros trabalhadores do sector ferroviário. Apenas queremos ser reconhecidos pelo nosso sacrifício», afirmam.

Apoiados pelo seu sindicato Aslef, os maquinistas levaram a cabo mais uma greve, no sábado, 13, que atingiu 15 operadores de comboios em toda a Inglaterra, deixando algumas áreas sem serviços ferroviários.

O líder do Aslef, Mick Whelan, denunciou a atitude do governo conservador britânico, que não se reúne com os sindicatos desde princípios de Janeiro deste ano, favorecendo assim as posições dos patrões das empresas do sector, que propõem aumentos salariais de oito por cento, abaixo da inflação.

Os sindicatos consideram esta proposta patronal «risível e miserável» e avisaram já que os maquinistas estão preparados para continuar por tempo indeterminado a luta pela satisfação das suas justas reivindicações. «O governo de Londres parece pensar que pode obrigar-nos a trabalhar com salários de fome ou que vamos desistir, mas isso não acontecerá», advertiu Whelan, insistindo que os trabalhadores prosseguirão a luta o tempo que for necessário e que «haverá novas greves».

As próximas paralisações convocadas pelo Aslef estão previstas para 31 de Maio e 3 de Junho, dia da final da Taça de Inglaterra em futebol, no Estádio de Wembley.

 



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