África progressista solidária com Cuba
O Partido Comunista Sul-Africano reafirmou o apoio à convocação, ainda este ano, de uma Conferência de Solidariedade África-Cuba.
Trata-se, consideram os comunistas sul-africanos, de uma importante iniciativa para juntar as forças progressistas de todo o continente africano numa acção unida de solidariedade com o povo de Cuba. Lembram que Cuba é «um país que deu tanto ao mundo e recebeu menos em troca, um país que continua a ser o portador da tocha do futuro da humanidade, que resiste ao imperialismo e enfrenta tremendas dificuldades devido ao paralisador e injusto bloqueio imposto pelos Estados Unidos da América há mais de 60 anos».
Na actualidade, num tempo em que os EUA não escondem que o seu recente interesse por África não resulta da vontade de contribuir para o desenvolvimento dos países africanos mas tem tudo a ver com os seus objectivos hegemónicos de travar a influência da China e Rússia também no continente, é útil evocar a participação de Cuba na libertação dos povos africanos do domínio imperialista.
Logo após o triunfo da Revolução Cubana, em Janeiro de 1959, Fidel Castro e companheiros fizeram da solidariedade internacionalista uma das principais bandeiras do seu combate pela construção de sociedades libertas da exploração, na ilha e no então chamado Terceiro Mundo.
Em África, movida por esses princípios, de forma altruísta e desinteressada, Cuba auxiliou as forças progressistas em luta pela independência e pela emancipação nacional e social dos povos, da Argélia ao Congo, da Guiné-Bissau a Angola e Moçambique. Não só com combatentes e armas, com médicos, enfermeiros e professores, mas também educando e formando na ilha milhares de jovens afircanos – o que, aliás continua a fazer.
A partir de 1975, os cubanos defenderam, ombro a ombro com os patriotas dirigidos pelo MPLA, a independência e integridade territorial de Angola, combatendo e derrotando os invasores da África do Sul racista e seus aliados. A vitória na batalha de Cuíto Cuanavale, travada em princípios de 1988, por forças angolanas e cubanas contra tropas sul-africanas, abriu caminho para a libertação de Nelson Mandela, o desmantelamento do apartheid na África do Sul e a independência da Namíbia.
Cuba foi um dos primeiros países que Nelson Mandela visitou após a sua libertação das prisões do apartheid, em 1990. Logo ano seguinte, a convite de Fidel, esteve na ilha, e agradeceu ao povo cubano a solidariedade.
As palavras de Mandela, em Matanzas, a 26 de Julho de 1991, mantêm toda a actualidade: «Esperámos muito tempo para visitar o vosso país e expressar os sentimentos que temos sobre a Revolução Cubana, sobre o papel de Cuba na África, no Sul da África e no mundo. O povo cubano tem um lugar especial nos corações do povo da África. Os internacionalistas cubanos deram uma contribuição sem paralelo para a independência, a liberdade e a justiça em África, pelo seu caráter íntegro e abnegado. Desde os primeiros dias, a Revolução Cubana tem sido uma fonte de inspiração para todas as pessoas amantes da liberdade. Admiramos os sacrifícios do povo cubano em manter a independência e soberania diante da perversa campanha imperialista orquestrada para destruir as impressionantes conquistas da Revolução Cubana».
Há, pois, justificadas razões para que, hoje, a África progressista seja solidária com Cuba.