Retorno do Brasil e Argentina à Unasur fortalece América Latina

Os presidentes do Brasil, Lula da Silva, e da Argentina, Alberto Fernández, anunciaram o regresso dos seus países à Unasur, fórum de unidade regional da América do Sul. Em Maio, realiza-se em Brasília uma cimeira dos chefes de Estado dos países membros.

Unasur é garantia de unidade regional sob os princípios de soberania e cooperação

A reincorporação da Argentina e do Brasil na União de Nações do Sul (Unasur) reforça a integração da América Latina face aos EUA, considerou o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales. «Com o retorno da Argentina e do Brasil à Unasur, a nossa região fortalece a sua posição geopolítica em relação aos EUA, que têm governos que pensam que Deus os criou para governar o mundo. Os 200 anos da nefasta Doutrina Monroe devem marcar o início da extinção do intervencionismo yankee», afirmou o dirigente boliviano.

Na semana finda, o presidente Lula da Silva promulgou o decreto que formaliza o regresso do Brasil à Unasur, ratificando assim o tratado constitutivo do referido fórum, assinado em Brasília em Maio de 2008.

A reincorporação entra em vigor, no plano externo, no próximo mês, com a realização, na capital brasileira, de uma cimeira de chefes de Estado dos países membros.

A retomada da participação brasileira foi uma das propostas de campanha de Lula da Silva, que sempre defendeu a aliança política e a cooperação entre os países da América Latina.

Por decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, de extrema-direita, o Brasil abandonou formalmente a Unasur em Abril de 2019 e, depois disso, outros países então com governos neoliberais saíram também, como foram os casos da Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai.

 

Adaptar unidade regional
aos novos desafios

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, assegurou que o seu país e o Brasil regressam à Unasur para fortalecer a unidade regional.

O dirigente argentino saudou o regresso do Brasil a esse mecanismo, anunciado por Lula apenas 24 horas depois de Buenos Aires confirmar a sua reincorporação.

«Partilho com o meu querido amigo Lula o orgulho de ser sul-americano. Regressamos juntos à Unasur para fortalecer com decisão a unidade regional e adaptá-la aos novos desafios do desenvolvimento social e económico», precisou.

O ministro argentino dos Negócios Estrangeiros, Santiago Cafiero, afirmou há dias que o seu país volta à Unasur por decisão soberana e promoverá a revitalização institucional da organização. Além disso, enfatizou que esse fórum contribuirá para que a América Latina e as Caraíbas continuem a ser a zona de paz mais densamente povoada do mundo.

Na actualidade, a Unasur é integrada por Guiana, Suriname, Bolívia e Venezuela como membros activos (o Peru está suspenso). A eles se juntarão, em breve, o Brasil e a Argentina, os dois maiores países da América do Sul.




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