Acordo UE-Mercosul: Quo vadis?

Joel Moriano

A 28 de junho de 2019, a Co­missão Eu­ro­peia anun­ciou que tinha che­gado a um acordo po­lí­tico com os países do Mer­cosul sobre o «Acordo In­ter­na­ci­onal de Livre Co­mércio entre a União Eu­ro­peia e o Mer­cosul».

Este acordo é mais um mega-acordo co­mer­cial que se in­sere na ló­gica de li­be­ra­li­zação do mer­cado em be­ne­fício dos in­te­resses das grandes mul­ti­na­ci­o­nais e po­tên­cias eu­ro­peias, e das oli­gar­quias dos países do Mer­cosul, que se afi­gura al­ta­mente le­sivo para os tra­ba­lha­dores, os agri­cul­tores, os pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, dos dois lados do Atlân­tico.

Um acordo que terá im­pactos pro­fun­da­mente ne­ga­tivos em vá­rios sec­tores pro­du­tivos, como a pró­pria CE já ad­mitiu.

Se ao mo­delo cada vez mais in­ten­sivo e in­dus­trial de al­guns pro­dutos nestes países do Mer­cosul, jun­tarmos o uso de pes­ti­cidas, de hor­monas e ou­tros quí­micos, a pro­dução e a co­mer­ci­a­li­zação de pro­dutos ge­ne­ti­ca­mente mo­di­fi­cados, e ainda o trans­porte dos pro­dutos, ve­ri­fi­camos que em termos am­bi­en­tais será um au­tên­tico de­sastre.

Apesar de este acordo nos ser apre­sen­tado como con­sen­sual, isso está longe de ser ver­dade. O pro­cesso de adopção em 2019 contou com a re­jeição de vá­rios par­la­mentos na­ci­o­nais e re­gi­o­nais.

Nos úl­timos tempos têm sido muitas as vozes que pedem uma rá­pida fi­na­li­zação deste acordo, in­vo­cando que se está no con­texto in­di­cado para que isso acon­teça.

Pri­meiro, porque con­si­deram que, no ac­tual con­texto, é pos­sível passar a imagem de que este acordo não é tanto um acordo co­mer­cial, mas sim um acordo que tem como ob­jec­tivo con­tri­buir para a au­to­nomia es­tra­té­gica da UE res­pon­dendo à ne­ces­si­dade de di­ver­si­fi­cação do for­ne­ci­mento e di­mi­nuindo o risco de in­ter­rup­ções nas ca­deias de abas­te­ci­mento.

Se­gundo, porque al­guns dos países que há quatro anos se opu­seram, como a França, têm agora uma po­sição mais con­ci­li­a­tória, exi­gindo apenas o cum­pri­mento do Acordo de Paris.

Ter­ceiro, porque as pre­si­dên­cias sueca e es­pa­nhola do Con­selho iden­ti­ficam a con­clusão deste acordo como uma das suas pri­o­ri­dades.

Sabe-se que, com esse mesmo ob­jec­tivo, a CE apre­sentou uma pro­posta de um pro­to­colo adi­ci­onal ao acordo que visa in­tro­duzir com­pro­missos em ma­téria am­bi­ental e de se­gu­rança ali­mentar. Pro­posta que não foi tor­nada pú­blica, o que de­monstra o grau de trans­pa­rência que está a ser dado a estas ne­go­ci­a­ções.

Aguar­dando os de­sen­vol­vi­mentos fu­turos, con­ti­nu­a­remos a de­fender no PE a re­jeição deste acordo e uma nova abor­dagem no plano co­mer­cial e na co­o­pe­ração eco­nó­mica que con­sagre re­la­ções mu­tu­a­mente van­ta­josas, que pers­pec­tivem o di­reito à so­be­rania ali­mentar, a sal­va­guarda da pro­dução na­ci­onal, a de­fesa dos di­reitos so­ciais e o res­peito pelo am­bi­ente e a bi­o­di­ver­si­dade.




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