CGTP-IN chama «todos a Lisboa» no dia 18 de Março

Por três fortes razões, a CGTP-IN decidiu convocar uma manifestaçãonacional para 18 de Março, sábado, com o lema «Todos a Lisboa! Aumento geral dos salários e pensões – emergência nacional!».

Trazer para a rua o protesto e a reivindicação abre caminho à convergência

A decisão foi tomada pelo Conselho Nacional da confederação, na passada sexta-feira, dia 17, tomando em consideração «a degradação das condições de vida dos trabalhadores, reformados, pensionistas e suas famílias»; «a ausência de respostas aos problemas» e «a necessidade de fazer convergir a luta desenvolvida e em desenvolvimento», «tendo como base o conjunto das reivindicações».

Na resolução «Mais salário, mais direitos, melhores pensões! Contra o aumento do custo de vida! Combater a exploração», divulgada após a reunião do organismo dirigente da Intersindical Nacional, começa-se por assinalar que «a realidade dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas e das suas famílias continua marcada pelo aumento brutal do custo de vida». Mas ocorre «uma contínua e injusta acumulação de lucros dos grandes grupos económicos, potenciada pela especulação».

Embora tenha«condições, se assim quiser, para levar a cabo opções políticas que rompam com a direita e com os interesses do grande capital», o Governo procede «ao invés»:«Mantém as normas gravosas da legislação laboral, não regula os preços dos bens e serviços essenciais, não acaba com a especulação das grandes empresas e dos grupos económicos e financeiros, não reduz para 6% o IVA da electricidade, do gás e dos produtos alimentares e não taxa efectivamente os lucros».

Por seu turno, «o patronato aproveita a situação geral para atacar os direitos e aumentar a exploração, por via dos vínculos precários, horários desregulados, salários baixos, bem como pelo bloqueio da contratação colectiva negociada pelos sindicatos da CGTP-IN».

«Os trabalhadores não desistem e elevam o patamar da luta», destaca-se na resolução, valorizando as muitas iniciativas realizadas desde Dezembro. «A intensificação da acção reivindicativa e a multiplicação das acções, plenários, greves e paralisações, no mês de Janeiro, foram resultado de um sentimento de indignação e protesto, mas também de confiança na luta organizada dos trabalhadores», afirma o Conselho Nacional da Inter.

Notando «os resultados positivos alcançados em diversas empresas e sectores», realça-se que eles «são fruto de processos reivindicativos e resultado da luta persistente e da unidade dos trabalhadores em torno das suas reivindicações».

O «dia nacional de indignação, protesto e luta», a 9 de Fevereiro, constituiu «uma importante jornada, com muitas greves, paralisações, concentrações e plenários com saída à rua, a acontecerem no mesmo dia e com os trabalhadores em luta a juntarem-se nas “praças da indignação” nos distritos, dando expressão pública à luta convergente».

Do Conselho Nacional saiu um apelo «à continuação do desenvolvimento da acção reivindicativa nos locais de trabalho, empresas e sectores, multiplicando as vozes da indignação, protesto e reivindicação, trazendo essas vozes para a rua, abrindo caminho à convergência da força imensa dos trabalhadores».


De hoje até Maio

Foi decidido «mobilizar toda a estrutura sindical para aprofundar a acção e a intervenção nas empresas, locais de trabalho e serviços, afirmando a liberdade sindical e o exercício dos direitos sindicais, na sua plenitude, defendendo os direitos e intensificando a luta pelas respostas imediatas ao agravamento da situação» dos trabalhadores.

A CGTP-IN vai «reforçar a acção sindical integrada a partir dos locais de trabalho», prosseguir a campanha de «defesa e reforço do Serviço Nacional de Saúde público, universal e gratuito» e também «confrontar as confederações patronais com os seus posicionamentos anti-sindicais».

A «Semana da Igualdade» vai decorrer entre 6 e 10 de Março, sob o lema «Salários a aumentar, para a vida mudar e a igualdade avançar!».

Manifestações da juventude trabalhadora vão decorrer no dia 28 de Março, em Lisboa e no Porto, com o lema «Basta de empobrecer a trabalhar! Precariedade é para acabar! É tempo de lutar!».

O movimento sindical unitário vai «dinamizar e participar na preparação das comemorações populares do 49.º aniversário do 25 de Abril, afirmando as conquistas da Revolução e os valores de Abril».

Os esforços vão igualmente dirigir-se para as comemorações do 1.º de Maio. Tendo por lema «Mais salário, mais direitos, melhores pensões! Contra o aumento do custo de vida, combater a exploração», deverá ser «uma grandiosa jornada de luta nacional de todos os trabalhadores, em todos os distritos do Continente e nas regiões autónomas».

 



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