Impressionante manifestação reforça luta dos professores

No dia 11, em Lisboa, largas dezenas de milhares de pessoas fizeram uma impressionante manifestação de professores e educadores, fortalecendo a unidade e a continuação da luta pela valorização da profissão e da Educação.

O Governo tem de avançar na valorização dos professores e da Educação

Na tarde de sábado, durante mais de quatro horas, do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, correu uma enchente humana, temperada com sons de palavras de ordem e músicas populares, rufos de bombos e caixas, apitos estridentes, ilustrada com as cores de cartazes, faixas, bandeiras e camisolas, com recheio de criatividade nas frases exibidas, tanto nas parangonas de escolas e agrupamentos, como em folhas A4 exibidas pelas mãos que as desenharam.

A manifestação nacional em defesa da profissão de professor «foi um elevadíssimo momento de encontro de uma profissão que, ao longo de 18 dias úteis, distrito a distrito, demonstrou uma tremenda determinação em defesa dos seus direitos, de concursos justos, do tempo de serviço que cumpriu, da carreira que lhe é devida e de tantas outras justas reivindicações», afirmou a Federação Nacional dos Professores.

A Fenprof – que promoveu esta grande jornada, em conjunto com outras oito estruturas – assegurou, numa saudação divulgada no dia seguinte pelo seu Secretariado Nacional, que, «com acções próprias ou em convergência com outras organizações sindicais de docentes, prosseguirá a luta, exigindo respeito pelos professores e a valorização da profissão».

Esta determinação foi reafirmada na segunda-feira, dia 13, numa nota das nove organizações sindicais (ASPL, Fenprof, FNE, Pró-Ordem, Sepleu, Sinape, Sindep, SIPE e Spliu) que estão em convergência e que garantiram que, «face à ausência de respostas do Ministério da Educação às justas reivindicações dos docentes» e «tendo também em conta a insuficiência das propostas para o futuro regime legal de concursos, a luta dos professores vai continuar».

Tal como fora anunciado por Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof, no Terreiro do Paço, falando em nome de todas as organizações, está a decorrer uma «semana de luto e de luta nas escolas», incluindo concentrações no exterior dos estabelecimentos de ensino a marcarem os dias das rondas negociais (ontem e amanhã, 17), com que o ME pretende encerrar o processo.

Do resultado destas reuniões depende a confirmação das greves a 2 e 3 Março, já convocadas. No primeiro dia, haverá greve nos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Guarda, Porto, Vila Real, Viana do Castelo e Viseu, realizando-se uma manifestação no Porto. No segundo, vão parar os docentes dos distritos de Beja, Castelo Branco, Évora, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre, Santarém e Setúbal, realizando uma manifestação em Lisboa.

Para 23, 24, 27 e 28 de Fevereiro, estão agendados os «Dias 4D», traduzidos em «Debate Democrático pela Dignificação da Docência», ou seja, «um amplo conjunto de reuniões e plenários nos quais serão analisadas as propostas do ME, estabelecidas as prioridades negociais e consultados os docentes sobre as formas de luta a desenvolver».

As nove organizações sindicais voltaram a criticar os responsáveis do ME, porque «tentaram diminuir» a importância da «extraordinária greve» realizada, distrito a distrito, entre 26 de Janeiro e 8 de Fevereiro.

Foi esta ordem cronológica, começando em Lisboa e terminando no Porto, com os demais distritos a seguirem ordem alfabética, que estruturou a marcha da manifestação, privilegiando o protagonismo da luta nas escolas e agrupamentos e dando maior visibilidade à convergência das diferentes estruturas.

 

O Governo não pode ignorar

«Esta realidade não pode passar ao lado do Governo», disse Paulo Raimundo, que saudou os dirigentes sindicais, poucos minutos antes de a manifestação começar a descer a Avenida da Liberdade. O Secretário-geral do PCP – que de seguida regressou à Marinha Grande, onde participou na Assembleia da Organização Regional de Leiria do Partido – frisou que «é justa a luta dos professores, são justas as suas reivindicações», como se comprova «por esta magnífica mobilização» e pelas acções realizadas «durante várias semanas consecutivas, da forma como têm feito, a lutar por eles, mas também a lutar pelo futuro do nosso País».

A delegação do PCP, que acompanhou o Secretário-geral e depois, nas proximidades do Centro de Trabalho Vitória, saudou a passagem da manifestação, acabando por se integrar no desfile, foi constituída por Jorge Pires e Paula Santos, membros da Comissão Política do Comité Central, Teresa Chaveiro e André Luz, membros do Comité Central, Alfredo Maia (deputado na AR) e Sandra Pereira (deputada no PE).

 



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