Acção organizada e firme determina avanços salariais

Mesmo quando não chega a ser concretizada uma greve, a força dos trabalhadores e dos seus sindicatos de classe pode ser bastante para alcançar acordos salariais que travam as grandes perdas sofridas.

O acordo na Secil estipula aumentos salariais entre 110 e 180 euros

Três casos, divulgados anteontem, vieram comprovar como é possível chegar a acordo, em importantes empresas, e garantir a recuperação do poder de compra dos trabalhadores.

Na Secil foi estabelecido um acordo que estipula aumentos salariais entre 110 e 180 euros, sendo também actualizados os valores das anuidades (diuturnidades) e dos subsídios de refeição, de turno, de apoio escolar e por nascimento ou adopção de filho(a).

Como informou a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom/CGTP-IN), o acordo é válido para o corrente ano, na Secil e na Cimentos Madeira, com efeitos retroactivos a Janeiro.

Após esta revisão do Acordo de Empresa, iniciada em Agosto, «com uma grande participação dos trabalhadores em todos os plenários e a firme determinação de recorrerem à luta para defenderem as suas justas reivindicações», a tabela salarial tem 1.061,54 euros como valor do salário mais baixo.

«O aumento dos salários dos trabalhadores é imperioso, possível e determinante, para assegurar maior crescimento económico, promover uma mais justa repartição da riqueza, aumentar a produtividade e incentivar a motivação laboral», afirma-se na nota emitida pela Direcção Nacional da federação.

Na Transportes Sul do Tejo foi aprovada no dia 14, terça-feira, num plenário muito participado, uma proposta de aumentos salariais de 7,8 por cento, apresentada pela administração na última reunião de negociação, revelou a Fectrans/CGTP-IN.

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações assinalou que esta actualização salarial «vem na sequência do recente Acordo de Empresa», publicado em Setembro de 2022, no qual houve «um salto qualitativo na remuneração dos trabalhadores».

Sendo o «acordo possível no momento», ele «deve ter continuidade em próximas negociações, com o objectivo central de continuar a valorizar o salário dos trabalhadores» na transportadora que explora a concessão da Carris Metropolitana nos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, alertou a Fectrans.

A administração da Zurich apresentou ao Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins uma proposta de aumentos salariais que prevê mais 15 por cento, na remuneração-base mais baixa (que será fixada em 862,50 euros), e subidas entre 12,5 e sete por cento para os demais escalões (com percentagens mais elevadas nos escalões mais baixos).

Numa informação aos trabalhadores, a dar conta desta posição patronal, o Sinapsa assinala que ela «acolhe o que foi defendido» pelos representantes sindicais. O sindicato recorda que, no ano passado, na revisão do Acordo Colectivo de Trabalho, ficou prevista a reabertura de negociações, caso a inflação no final do ano passasse sete por cento.

Remetendo para um plenário de trabalhadores, a 25 de Janeiro, o Sinapsa nota que aguarda, até ao final de Fevereiro, uma resposta da empresa a «problemas que continuam por resolver», relativos a enquadramentos e reclassificações profissionais.

«A melhoria dos direitos e a garantia de melhores condições de vida é uma luta constante», observa o sindicato, sublinhando a necessidade de uma organização forte.

 



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