Longe da paz e dos problemas dos povos

João Pimenta Lopes

No passado dia 9, teve lugar uma reunião extraordinária do Conselho Europeu. Tema central na reunião, a guerra na Ucrânia, tendo contado com a presença do presidente daquele país. Presença, discussão e conclusões que em nada contribuíram para nos aproximar do fim de uma guerra – que dura há nove anos – e para abrir as tão necessárias vias de diálogo, com vista a uma solução política negociada do conflito, que envolva os EUA, a NATO e a UE, e demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, que coloque a paz no horizonte, respondendo aos problemas da segurança colectiva e desarmamento na Europa, o cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia.

Necessário caminho que o PCP tem vindo a afirmar, que a realidade demonstra ser imprescindível e que não permite o branqueamento de todo o caminho percorrido até aqui. Pelo contrário, todo o primeiro ponto das conclusões da reunião, sobre um pretenso apoio à Ucrânia, confirma o papel das instituições da União Europeia na instigação da guerra e da confrontação, de que o povo ucraniano, que cinicamente a UE diz apoiar, é principal vítima, sem esquecer o povo russo e os demais povos da Europa, desde logo pelas políticas de sanções, que promovem a degradação das condições económicas, sociais e de vida, as acções especulativas, as desigualdades, o empobrecimento, com benefícios para os grandes grupos económicos e para a indústria da guerra.

O documento de conclusões da reunião do Conselho Europeu dá nota que, até ao momento, a «assistência prestada pela União Europeia e os seus Estados-Membros à Ucrânia [...] ascende globalmente a, pelo menos, 67 mil milhões de euros», 12 mil milhões em apoio militar, o restante, entre outros, por via da «assistência macrofinanceira», instrumento de subordinação de países à agenda neoliberal da UE, impondo a matriz de reformas «estruturais» por via de condicionalidade política e económica, alinhando-se pelo diapasão do FMI – que há muito intervém no país. Enquanto a UE continua a afirmar o seu caminho de instigação da guerra, no mesmo documento, nem uma palavra para responder à gravíssima situação económica e social com que os povos se confrontam. Nem uma palavra sobre salários, empobrecimento, especulação, lucros obscenos, habitação, serviços públicos, desenvolvimento da produção nacional. Só mais do mesmo, a velha e estafada cartilha neoliberal de defesa do «mercado único»; a orientação das possibilidades de apoios estatais para os interesses do grande capital, determinando opções que visem condicionar a capacidade produtiva em favor das grandes potências e dos seus grupos económicos e financeiros; e a garantia da manutenção e aprofundamento da liberalização de sectores estratégicos, como o da energia.




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