Congresso Nacional Africano defende reforço da unidade
A 55.ª Conferência do Congresso Nacional Africano (ANC), da África do Sul, que decorreu entre os dias 16 e 20, em Joanesburgo, concluiu os seus trabalhos com um apelo ao reforço da unidade e à renovação das suas fileiras.
Na intervenção de encerramento, o presidente Cyril Ramaphosa, eleito para um segundo mandato à frente do partido, salientou que após cinco dias de trabalho o ANC é «uma organização unida, para surpresa de quem não nos deseja o melhor». Se o ANC não estiver unido, enfatizou, não poderá unir a África do Sul nem reactivar a economia nacional. Assim, confirmou que uma das prioridades do partido é trabalhar pela coesão interna.
Ao falar da atitude que devem adoptar os membros do ANC, referiu o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, e o seu princípio de que os dirigentes devem servir o seu povo com sacrifício próprio, sem aspirar a receber qualquer retribuição material. «Servir o povo, o país, sem esperar recompensas, apenas trabalhar ganhando a sua confiança, deve ser a divisa dos dirigentes do ANC», insistiu.
Como autocrítica, reconheceu que o ANC cometeu erros e deu alguns passos em falso, estando a pagar por isso «de muitas maneiras». Contudo, disse, a 55.ª Conferência reafirmou a razão de ser do ANC: servir o povo da África do Sul.
Nos próximos anos, o ANC, como partido de governo, deve trabalhar para garantir serviços de qualidade às pessoas de todo o país, assim com intensificar a luta contra a corrupção, realçou Ramaphosa. Deve também abordar a questão da terra – a reforma agrária, sublinhou, não é só uma questão de resolver uma injustiça, mas trata-se também de ajudar a crescer a economia.
Durante a 55.ª Conferência Nacional do ANC, quase 4500 delegados de todo o país debateram a situação interna da organização e os grandes problemas do país, e elegeram novos órgãos de direcção do partido para o próximo quinquénio.
Em aliança com o Partido Comunista Sul-africano e com a central sindical Cosatu, o ANC é a maior força política na África do Sul e governa o país desde as primeiras eleições democráticas, em 1994.
Numa nota emitida no dia 20, o Partido Comunista Sul-africano saudou a realização do Congresso do ANC, valorizando a garantia dada pelo presidente Ramaphosa de que o ANC avançará na renovação dos laços com as massas populares. Os comunistas realçam ainda a necessidade de reforçar e alargar as alianças com todos os que «apoiam os objectivos emancipatórios consagrados na Carta da Liberdade, para resolver os problemas que afectam o povo e para superar as suas desafios».
Para o PCSA, «um programa completo de transformação sistémica e estrutural é essencial para tirar a África do Sul da situação actual, que afeta gravemente milhões de pessoas». A participação e mobilização populares são essenciais para o êxito desse «processo de transformação e desenvolvimento económico e social mais amplo».