PCP com respostas para os problemas do País que o OE 2023 não dá

Ter­mina amanhã o pro­cesso le­gis­la­tivo de dis­cussão da pro­posta de Or­ça­mento do Es­tado para 2023. Dada como certa é a sua apro­vação pela mai­oria ab­so­luta do PS. Só que este não é o or­ça­mento que a si­tu­ação do povo e do País re­clama – e por isso terá o voto contra do PCP.

As pro­postas do PCP com­provam que há al­ter­na­tiva às op­ções do PS

De­pois da ma­ra­tona de vo­ta­ções das pro­postas de al­te­ração que de­corre desde se­gunda-feira, o or­ça­mento sairá do Par­la­mento pra­ti­ca­mente como en­trou, ou seja, sem qual­quer me­xida nas li­nhas es­sen­ciais de­ter­mi­nadas pelas op­ções do Go­verno PS. Fa­zendo valer a mai­oria ab­so­luta, ficou pa­tente a falta de aber­tura da ban­cada que o su­porta para aceitar pro­postas oriundas dos vá­rios qua­drantes da opo­sição, que dêem res­postas aos pro­blemas pre­mentes que afectam os tra­ba­lha­dores e o povo.

Pelo seu lado, foram cerca de 400 as pro­postas de al­te­ração en­tre­gues pelo PCP nestas úl­timas duas se­manas (ver su­ple­mento nesta edição). Pro­postas com me­didas con­cretas de res­posta a pro­blemas con­cretos, umas ime­di­atas e ou­tras de fundo, co­brindo pra­ti­ca­mente todos os do­mí­nios da nossa vida co­lec­tiva. A de­mons­trar, si­mul­ta­ne­a­mente, que há uma po­lí­tica al­ter­na­tiva e há so­lu­ções e que o País não está con­de­nado ao em­po­bre­ci­mento e às de­si­gual­dades.

E porque es­trei­ta­mente li­gadas à vida, as pro­postas do PCP deram «ex­pressão às di­fi­cul­dades sen­tidas pela ge­ne­ra­li­dade das classes e ca­madas an­ti­mo­no­po­listas, indo ao en­contro quer das ne­ces­si­dades por estas sen­tidas quer das suas as­pi­ra­ções e an­seios», como afirmou ao Avante! Paula Santos, pre­si­dente do Grupo Par­la­mentar co­mu­nista.

Pe­rante um or­ça­mento que apro­funda as in­jus­tiças, as pro­postas do PCP foram ori­en­tadas para dar res­posta à es­ca­lada do au­mento do custo de bens e ser­viços es­sen­ciais e à de­gra­dação das con­di­ções de vida, com­bater a es­pe­cu­lação e a in­jus­tiça fiscal, im­pedir a de­gra­dação dos ser­viços pú­blicos e o agra­va­mento das de­si­gual­dades. Daí a for­ma­li­zação de pro­postas para a re­cu­pe­ração e a va­lo­ri­zação do poder de compra dos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica e dos re­for­mados, desde logo com au­mentos de pen­sões sem cortes e não in­fe­ri­ores a 50 euros, ali­vi­ando si­mul­ta­ne­a­mente a tri­bu­tação sobre os mais baixos ren­di­mentos, ta­xando os lu­cros mi­li­o­ná­rios e pondo fim aos pri­vi­lé­gios fis­cais.

Afir­mação de que há al­ter­na­tiva

Ao fe­char de olhos do Go­verno à su­bida ga­lo­pante dos preços e bens e ser­viços es­sen­ciais, con­trapõe a ban­cada co­mu­nista o con­trolo e fi­xação de preços para o cabaz ali­mentar, a energia e os com­bus­tí­veis, bem como a re­dução do IVA e a efec­ti­vação de uma ta­rifa re­gu­lada na elec­tri­ci­dade e gás (in­cluindo o gás de bo­tija).

Face a um or­ça­mento sem res­postas de fundo aos pro­blemas do País, uma par­ti­cular atenção dos de­pu­tados co­mu­nistas foi dada a ou­tras ques­tões que também tiram o sono a mi­lhares de fa­mí­lias, como é o caso do acesso à ha­bi­tação ou da sua de­fesa (pró­pria ou ar­ren­dada), face ao au­mento dos juros e de rendas cada vez mais proi­bi­tivas.

E o mesmo en­foque foi posto nas di­fi­cul­dade cres­centes sen­tidas pelas pes­soas no que res­peita aos ser­viços pú­blicos, com a apre­sen­tação de me­didas des­ti­nadas ao seu re­forço, seja na saúde ou na edu­cação, nos trans­portes ou no do­mínio da pro­tecção so­cial.

E para que o di­reito à ha­bi­tação seja uma re­a­li­dade efec­tiva e nin­guém fique sem casa, à margem da in­ter­venção do PCP não fi­caram pro­postas com vista ao es­ta­be­le­ci­mento de um li­mite mais baixo para a ac­tu­a­li­zação das rendas ou para re­duzir as co­mis­sões ban­cá­rias e ou­tros en­cargos ban­cá­rios face à su­bida das taxas Eu­ribor.

Com os olhos postos nos nossos prin­ci­pais dé­fices es­tru­tu­rais, ao Grupo Par­la­mentar do PCP não es­capou ainda a ne­ces­si­dade de serem adop­tadas com ur­gência me­didas para au­mentar a pro­dução na­ci­onal e assim re­duzir a nossa de­pen­dência ex­terna, com os ne­ces­sá­rios apoios aos sec­tores pro­du­tivos e às MPME.




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