A paz não se alcança instigando a guerra

O PCP defendeu, no Parlamento Europeu, a «urgente abertura de vias de negociação visando alcançar uma solução política para um conflito que já dura há oito anos» e a resposta aos «problemas da segurança colectiva e do desarmamento na Europa».

UE prossegue com a instigação da guerra

Numa declaração de voto relativa à resolução do Parlamento Europeu sobre a escalada de guerra na Ucrânia, o deputado comunista João Pimenta Lopes insistiu no cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia. A escalada de confrontação, na Europa como no mundo, deveriam ser «motivo de profunda preocupação, face aos sérios perigos que esta representa para os povos do mundo», acrescentou.

Apesar disso, denunciou João Pimenta Lopes, a resolução em causa vai em sentido oposto. Desde logo porque não pugna pela imperativa defesa da paz, pelo necessário fim da escalada de confrontação e guerra e pela urgente abertura de vias de negociação visando uma solução política. Também não aponta para o fim das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia, «que estão a provocar uma acelerada deterioração da situação económica e social».

Para o deputado comunista, impunha-se igualmente o fim do incitamento ao ódio e à xenofobia e a indispensável denúncia de quem «tudo faz para que a guerra não termine», como o complexo militar-industrial e as grandes transnacionais da energia e da alimentação, algo que não se encontra patente no documento.

Travar a escalada

Analisando o teor da resolução, o deputado comunista destacou alguns dos seus mais gravosos aspectos, colocando à cabeça o alinhamento com a «instigação da escalada de confrontação e guerra, clamando por mais e mais guerra, por mais e mais sanções, à custa do sofrimento dos povos». Ao reclamar também um maior envolvimento da UE nesta escalada belicista, demonstra que esta é, efectivamente, «expressão de uma guerra dos EUA e da NATO com a Rússia, no quadro da estratégia de imposição de domínio dos EUA, em que a Ucrânia e o poder ali instalado são usados como instrumento».

João Pimenta Lopes denunciou ainda que o documento escamoteia todo o «caminho de ingerência, violência e confrontação» que desembocou na presente situação: o alargamento da NATO; o golpe de Estado de 2014, «promovido pelos EUA na Ucrânia, que instaurou um poder xenófobo e belicista»; o incumprimento dos acordos de Minsk; os oito anos de guerra na região do Donbass; a intervenção militar da Rússia; a espiral de sanções impostas pelos EUA e a UE; o fornecimento de cada vez mais sofisticados armamentos; o crescente envolvimento da NATO na guerra; a realização de referendos em Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhia; a sabotagem do Nord Stream 1 e 2.

«Até onde querem levar a Europa e o mundo?», questionou o deputado do PCP, para quem «a solução não é a guerra, não é o alinhamento com a estratégia de crescente confrontação ditada pelos EUA e a NATO», mas sim a paz e a cooperação.




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