Campanha reforçada na rua para garantir a vitória de Lula da Silva

O PCdoB apela a uma forte campanha de rua para garantir a eleição de Lula da Silva na segunda volta das presidenciais brasileiras, marcadas para dia 30. Ciro Gomes e Simone Tebet declararam o seu apoio a Lula da Silva, juntando-se assim a diversas forças e personalidades do país.

São já 11 partidos com expressão no Congresso a apoiar Lula da Silva

«A tarefa principal que temos nas próximas semanas é reforçar a campanha de Lula nos Estados e em nossas áreas de actuação. O PCdoB e suas lideranças devem ser protagonistas deste processo.» Este foi o repto lançado, no dia 4, por Luciana Santos, presidente do Partido Comunista do Brasil, no final da reunião da Comissão Política Nacional. A dirigente apelou aos militantes comunistas nos diferentes Estados do país a «sair às ruas e intensificar a campanha». A partir de agora, acrescentou, «é pouca reunião e muita campanha».

Para Luciana Santos, a segunda volta das eleições deve ser encarada com a seriedade que o momento político exige. O bolsonarismo, garantiu, não é apenas uma força com capacidade de mobilização social, como se viu por exemplo a 7 de Setembro. Conta também com «enraizamento na sociedade, que como sempre afirmámos não deve ser de forma alguma subestimada».

Porém, acrescentou a presidente do PCdoB, parte da sua força resulta do «uso da máquina pública para mobilizar eleitorado ao seu favor», como tenta agora fazer com o «malabarismo» da redução do preço dos combustíveis e os apoios sociais anunciados. A que se somam os recursos provenientes do «orçamento secreto que foi usado para desequilibrar a disputa nos Estados e que proporcionou uma bancada para o Partido Liberal de quase 100 deputados».

A Comissão Política Nacional do PCdoB apela, assim, à construção da «maior frente ampla possível. Trata-se de verdadeira união nacional contra a implantação da extrema-direita no país, que nos arrastará para um cenário desastroso em todos os sentidos». O que está em jogo, garantem os comunistas, é a «disputa de dois projectos antagónicos»: um autoritário, retrógrado e excludente, liderado por Bolsonaro; e o outro, democrático, comprometido com o desenvolvimento e a justiça social, encabeçado por Lula da Silva.

Lula da Silva soma apoios
e alarga base eleitoral

Após ter sido o mais votado no passado dia 2, com 48,43 por cento dos votos, Lula da Silva continua a somar apoios para a segunda volta das eleições presidenciais, que disputará no dia 30 com o actual presidente Jair Bolsonaro, de extrema-direita. Entre estes, contam-se os dos candidatos Simone Tebet e Ciro Gomes, que na primeira volta recolheram respectivamente 4,16 e 3 por cento dos votos.

A candidata do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) deu a conhecer a sua decisão no dia 5, depois do partido ter dado liberdade de voto aos seus membros. Justificando a sua opção, Simone Tebet afirmou que «depositarei nele [Lula da Silva] o meu voto por reconhecer o seu compromisso com a democracia e a Constituição que desconheço no actual presidente».

Também o PSDB, que apoiou a candidatura da senadora, não assumiu uma posição oficial de apoio a nenhum dos candidatos, deixando a decisão a cada uma das suas direcções estaduais. Porém, algumas das suas principais figuras já manifestaram a sua preferência por Lula da Silva, como foi o caso do antigo chefe de Estado, Fernando Henrique Cardoso, que sublinha um percurso de «luta pela democracia e inclusão social». O partido Cidadania, que também apoiou Tebet, apela agora abertamente ao voto em Lula da Silva.

Quanto ao Partido Democrático Trabalhista, que na primeira volta apresentou o candidato Ciro Gomes, declarou o seu apoio ao ex-presidente no dia 4 – uma decisão tomada de forma unânime pelos órgãos partidários, como sublinhou o presidente do PDT, Carlos Lupi. O dirigente trabalhista realçou que o programa de Lula, e das forças que o apoiam, «tem mais afinidades com as ideias do PDT do que o do oponente, Jair Bolsonaro». Horas depois, Ciro Gomes publicou um vídeo nas redes sociais secundando a posição do seu partido.

Já o Partido Comunista Brasileiro, que apoiou na primeira volta a candidata Sofia Manzano, afirma que «agora é Lula» e salienta a importância de derrotar Bolsonaro.

Estas forças juntam-se assim às que apoiaram a candidatura de Lula da Silva na primeira volta: além da Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e Partido Verde, Lula contou com o apoio do PSB, Solidariedade, Federação PSOL-Rede, Agir, Avante e Pros. Nunca antes o ex-presidente tinha contado com um tão alargado apoio.

Na primeira sondagem relativa à segunda volta das presidenciais brasileiras, publicada pelo IPEC no dia 5, Lula da Silva surge com 55 por cento das intenções de voto, contra os 45 por cento de Bolsonaro. Outra, divulgada dias depois, dava igualmente vantagem a Lula da Silva, com 53 por cento.

Direita com forte presença
no Congresso brasileiro

Confirmando-se, no dia 30, a eleição de Lula da Silva para a Presidência do Brasil, este não terá a vida facilitada ao longo do mandato. Nas eleições para o Senado e a Câmara dos Deputados – que formam o Congresso nacional –, realizadas também no dia 2, os partidos mais à direita conseguiram, em termos relativos, as maiores bancadas.

Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal elegeu 99 representantes e a Federação Brasil da Esperança (que inclui o PT e o PCdoB) 68, em 513 membros. No Senado, o PL alcançou 14 lugares e o PT 4, de um total de 81. As alianças construídas para a eleição presidencial, que não tiveram exactamente a mesma expressão nas restantes eleições, não deixarão de se reflectir na decisão de questões centrais.

Quanto aos governadores, foram eleitos 15 no dia 2, havendo ainda 10 em disputa na segunda volta. Entre estes conta-se o maior do país, São Paulo, onde o ex-candidato presidencial Fernando Haddad, do PT, disputa com Tarcísio, do Republicanos.

 



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