Falta de motoristas é a paga por anos de opções erradas
As transportadoras privadas, «suportadas nas cedências dos governos na legislação laboral, bloquearam a negociação colectiva, apostando em baixos salários, o que não tornou atractiva a profissão».
A profissão deve ter condições que atraiam mais trabalhadores
Este é um dos motivos, indicados pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, num comunicado sobre a falta de motoristas e as consequências visíveis na qualidade do serviço público.
Por outro lado, o patronato avançou na redução de efectivos, compensando essa opção com o aumento do recurso ao trabalho extraordinário.
Com o serviço a ser assegurado por menos trabalhadores do que era necessário, as empresas não se prepararam para os novos concursos de concessão, que preconizam maior oferta. Logo, «os utentes têm agora de lidar com um serviço que não corresponde às suas necessidades».
Para a Fectrans/CGTP-IN, «é preciso criar condições para atrair mais trabalhadores para a profissão de motoristas, e isso faz-se também com o aumento dos salários, prosseguindo a melhoria da contratação colectiva, como se fez este ano».
A federação assinala que «estas empresas privadas estão a ser pagas com dinheiros públicos, pelo que se exige que as autoridades de transportes tomem as medidas necessárias para defender o interesse público».
«Os acontecimentos demonstram», salienta a Fectrans, que «um serviço público de qualidade assegura-se por empresas públicas» que tenham esse objectivo «e não o lucro, que é o objectivo das empresas privadas».
Nos protestos populares, como em Setúbal, dia 1 (na foto), exige-se serviço público de qualidade.
Reivindicação comum
Uma delegação de diversas organizações sindicais, que representam trabalhadores das empresas públicas de transportes – entre as quais a Fectrans e os seus sindicatos STRUP, SNTSF, STFCMM e Simamevip – vão hoje de manhã entregar, no Ministério do Ambiente, uma carta reivindicando o aumento geral dos salários.
A decisão, como informou a Fectrans, foi tomada numa reunião realizada a 29 de Setembro. O documento foi também enviado ao Ministério das Infra-estruturas.