PCP no Brasil solidário com a luta do povo brasileiro

Sandra Pe­reira, de­pu­tada do PCP no Par­la­mento Eu­ropeu, acom­pa­nhou as elei­ções ge­rais que se re­a­li­zaram a 2 de Ou­tubro no Brasil, na sequência de um con­vite do Par­tido dos Tra­ba­lha­dores (PT).

«A vi­tória de Lula da Silva será im­por­tante para con­tra­riar re­tro­cessos e de­fender a de­mo­cracia»

A pre­sença do PCP no Brasil cons­titui um gesto de so­li­da­ri­e­dade para com a luta das forças pro­gres­sistas, dos tra­ba­lha­dores e povo bra­si­leiro em de­fesa dos di­reitos e da de­mo­cracia, no mo­mento em que ti­nham lugar umas elei­ções que re­pre­sen­tavam uma opor­tu­ni­dade para o povo bra­si­leiro afirmar so­be­ra­na­mente a von­tade de re­tomar e apro­fundar um ca­minho de pro­gresso so­cial, de de­sen­vol­vi­mento, de so­be­rania, de co­o­pe­ração e de paz.

Du­rante a sua es­tadia em São Paulo, Sandra Pe­reira reuniu com uma de­le­gação do Par­tido Co­mu­nista do Brasil (PCdoB), in­te­grada por Walter Sor­ren­tino, vice-pre­si­dente, e José Rei­naldo Car­valho e We­vergton Brito, da Se­cre­taria de Re­la­ções In­ter­na­ci­o­nais, onde teve a opor­tu­ni­dade de apro­fundar o co­nhe­ci­mento sobre a ac­tual si­tu­ação no Brasil.

Sandra Pe­reira es­teve também pre­sente na Marcha da Vi­tória, re­a­li­zada dia 1 de Ou­tubro, que contou com a pre­sença de Lula da Silva, can­di­dato à Pre­si­dência do Brasil. Uma marcha com grande par­ti­ci­pação po­pular, que ex­pressou es­pe­rança na mu­dança no Brasil. Par­ti­cipou, ainda, ainda no Se­mi­nário In­ter­na­ci­onal sobre as elei­ções de 2022, pro­mo­vido pelo PT e pela co­li­gação elei­toral «Vamos Juntos pelo Brasil», que apoia a can­di­da­tura de Lula da Silva à Pre­si­dência.

Neste se­mi­nário foram apre­sen­tadas as prin­ci­pais li­nhas pro­gra­má­ticas desta can­di­da­tura, des­ta­cando-se o com­bate à po­breza, a va­lo­ri­zação dos sa­lá­rios, a pro­moção das po­lí­ticas so­ciais ou o for­ta­le­ci­mento da agri­cul­tura fa­mi­liar, entre muitas ou­tras me­didas que visam o de­sen­vol­vi­mento do país e a de­fesa dos di­reitos e da de­mo­cracia.

Que pri­meira ava­li­ação fazes ao re­sul­tado das elei­ções pre­si­den­ciais do pas­sado do­mingo no Brasil?
Co­me­çaria por su­bli­nhar a tran­qui­li­dade em que de­correu este acto so­be­rano do povo bra­si­leiro.

O re­sul­tado da pri­meira volta das elei­ções pre­si­den­ciais ex­pressa uma von­tade de mu­dança na Pre­si­dência do Brasil. A can­di­da­tura li­de­rada por Lula da Silva, apoiada pela frente elei­toral «Vamos Juntos pelo Brasil», que agrega forças muito di­fe­ren­ci­adas, ob­teve mais de 48% dos votos. A vo­tação ob­tida por Jair Bol­so­naro, apoiado pelo Par­tido Li­beral, Pro­gres­sistas e Re­pu­bli­canos, acabou por agregar «voto útil», al­can­çando cerca de 43%. Sendo que a dis­tância que se­para as duas can­di­da­turas é de mais de 5% e de mais de seis mi­lhões de votos. A abs­tenção foi de 20%.

Será muito im­por­tante que a can­di­da­tura de Lula da Silva con­siga mo­bi­lizar na se­gunda volta parte do elei­to­rado po­pular que se abs­teve, bem como do elei­to­rado de base de­mo­crá­tica que votou agora nou­tras can­di­da­turas, como em Si­mome Tebet (do Mo­vi­mento De­mo­crá­tico Bra­si­leiro) ou Ciro Gomes (do Par­tido De­mo­crá­tico Tra­ba­lhista).

E sobre os re­sul­tados das elei­ções para o se­nado, a câ­mara de de­pu­tados, os go­ver­na­dores, que apre­ci­ação fazes?
Dis­pu­taram-se também elei­ções para de­pu­tados es­ta­duais e fe­de­rais, se­na­dores e go­ver­na­dores. Em al­guns Es­tados, os re­sul­tados para go­ver­na­dores não fi­caram de­ci­didos na pri­meira volta e ha­verá no­va­mente elei­ções a 30 de ou­tubro. No Se­nado (81 lu­gares), o PL tem 13 lu­gares e o PT nove. Na Câ­mara dos De­pu­tados (513 lu­gares), a «Fe­de­ração Brasil de Es­pe­rança» (PT, PCdoB e Par­tido dos Verdes) au­mentou para 80 de­pu­tados. A ex­trema-di­reta e di­reita apoi­ante de Bol­so­naro ob­teve 187. Em termos ge­rais, a es­querda está em mi­noria e os de­sa­fios serão cer­ta­mente exi­gentes, mas há um sector po­lí­tico in­te­res­sado na de­fesa da de­mo­cracia, cuja uni­dade será fun­da­mental para en­frentar no con­gresso o bol­so­na­rismo e as suas con­cep­ções que, pro­cu­rando di­vidir o povo bra­si­leiro, servem os in­te­resses dos grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros e os sec­tores mais re­tró­grados e obs­cu­ran­tistas no Brasil.

A vi­tória de Lula da Silva na se­gunda volta seria im­por­tante para o povo bra­si­leiro, mas também teria re­per­cus­sões em toda a Amé­rica La­tina?
Na se­gunda volta, Lula da Silva parte na­tu­ral­mente com fa­vo­ri­tismo, mas há uma dura ba­talha que deve con­ti­nuar a ser tra­vada. Apesar dos re­tro­cessos sen­tidos na so­ci­e­dade bra­si­leira nos úl­timos anos, com o em­po­bre­ci­mento da po­pu­lação e o au­mento da fome, com su­ces­sivos ata­ques aos di­reitos so­ciais e à de­mo­cracia, com um des­res­peito pro­fundo pelos di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo bra­si­leiro, os re­sul­tados de do­mingo mos­tram que Bol­so­naro tem apoio de sec­tores po­de­rosos da so­ci­e­dade bra­si­leira e que é um ad­ver­sário que não deve ser su­bes­ti­mado.

A vi­tória de Lula da Silva será im­por­tante para con­tra­riar estes re­tro­cessos e para de­fender a de­mo­cracia e os di­reitos do povo bra­si­leiro. Dada a im­por­tância do Brasil no plano in­ter­na­ci­onal, terá ainda im­por­tantes re­per­cus­sões para a Amé­rica La­tina e as Ca­raíbas e também para o resto do mundo. De­pois de im­por­tantes vi­tó­rias que di­ver­si­fi­cadas forças pro­gres­sistas têm al­can­çado na Amé­rica La­tina – como nas Hon­duras, no Chile ou na Colômbia –, a vi­tória de Lula da Silva no Brasil terá um grande sig­ni­fi­cado, re­pre­sen­tando um im­por­tante con­tri­buto para a de­fesa de uma po­lí­tica de so­be­rania, co­o­pe­ração e paz na Amé­rica La­tina e Ca­raíbas e, na­tu­ral­mente, de uma ordem in­ter­na­ci­onal mais justa no plano mun­dial.

 



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