Protestos por toda a Europa contra o aumento do custo de vida

Registaram-se nos últimos dias manifestações em diversos países europeus, contra a subida de preços de alimentos, energia e outros bens de primeira necessidade. Do Reino Unido à República Checa, passando por França, Alemanha e Irlanda, os trabalhadores exigem medidas contra o aumento do custo de vida.

Em Dublin, como em muitos outros locais, luta-se em defesa das condições de vida

No Reino Unido, no fim-de-semana, ocorreram manifestações em várias cidades. Sindicatos e outras organizações sociais promoveram protestos contra o aumento dos preços da energia e o aumento do custo de vida. Houve acções em Londres, Brighton, Plymouth, Aberdeen, Birmingham e Bradford, entre outras cidades, associadas a greves de trabalhadores ferroviários e empregados dos correios.

Os manifestantes exigiram ao governo conservador, liderado por Liz Truss, a adopção de medidas para enfrentar a crise. Exigem aumento salarial generalizado para fazer frente à inflação, alimentação gratuita nas escolas, melhorias nos sistemas de aquecimento domésticos e subida de impostos para as empresas e as pessoas mais ricas. Na manifestação em Londres, no sábado, 1, podia-se ler cartazes com frases como «Impostos para os ricos» e «Congelem os preços, não as pessoas». A inflação no Reino Unido atingiu a máxima expressão no país e a libra esterlina está no seu ponto mais baixo.

Em Dublin, na Irlanda, milhares de pessoas encheram as ruas, no dia 25, protestando contra a crise social. A Coligação Custo de Vida, que reúne cerca de 30 organizações, incluindo sindicatos, associações de reformados e de estudantes, e partidos políticos da oposição, exige que o governo tome medidas contra a subida do custo de vida.

Mary-Lou McDonald, presidente do Sinn Fein, que integra a coligação, afirmou que o governo irlandês «não escuta as pessoas comuns» e que a actual crise «mostra uma vez mais as profundas desigualdades que prevalecem na Irlanda». Defendeu a necessidade de um governo do povo para uma verdadeira mudança e apelou a medidas urgentes.

 

«Não à guerra, não às sanções»

Em França, mais de 200 acções tiveram lugar no dia 29, para exigir aumentos de salários e protestar contra o projecto governamental de alterar o sistema de pensões dos trabalhadores, aumentando a idade de reforma para os 65 anos. Em Paris, segundo os promotores – a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e outros sindicatos – participaram 40 mil pessoas na marcha de protesto.

As principais reivindicações colocadas pela central sindical francesa para «responder à urgência social» são o aumento dos salários, a subida do salário mínimo nacional para 2000 euros, semana laboral de 32 horas e reforma aos 60 anos.

Na Alemanha, sobretudo no Leste do país, milhares de pessoas manifestaram-se, protestando contra a política energética do governo e as sanções contra a Rússia. Os manifestantes entoaram slogans contra a coligação governamental liderada por Olaf Scholz e empunhavam cartazes com mensagens como «Não à explosão de preços», «Não à guerra, não às sanções» e «Abram o Nord Stream já».

O maior protesto realizou-se no Estado da Turíngia, com a participação de dezenas de milhares de pessoas. Outras acções decorreram nos Estados da Saxónia-Anhalt e Meclemburgo-Pomerâmia Ocidental, com os manifestantes a insurgirem-se contra a subida dos preços da energia e as sanções impostas pela União Europeia à Rússia.

Em Praga, dezenas de milhares de pessoas reuniram-se, no dia 28, pela segunda vez num mês, para protestar contra a crise de energia e a subida de preços que atinge os países na Europa, exigindo a demissão do governo da República Checa.

Já em meados de Setembro, cerca de 70 mil manifestantes, em Praga, tinham protestado contra o aumento do custo de vida e a subida dos preços da energia, exigindo das autoridades medidas urgentes. Muitas das pessoas que participaram no protesto temem o crescimento de situações de pobreza e acusam o governo de dar mais atenção aos problemas da Ucrânia do que aos próprios cidadãos checos.

 



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