Efeitos da inflação travam-se é com aumento de salários e pensões

O PCP voltou a alertar para os efeitos negativos da inflação alta sobre toda a vida nacional, em particular junto dos que têm salários mais baixos, insistindo que é preciso agir para recuperar o poder de compra, regular preços e combater a especulação.

«O que se impõe não são medidas paliativas e assistencialistas mas sim aumentar salários e pensões para recuperar poder de compra. É regular preços e taxar os lucros dos grupos económicos para impedir a especulação. É dinamizar a produção nacional para tornar o País menos dependente e mais desenvolvido», afirma o PCP em nota do seu Gabinete de Imprensa emitida no dia 31 de Agosto, logo após a divulgação pelo INE da sua estimativa rápida segundo a qual a inflação homóloga (variação em relação ao mesmo mês do ano anterior) atingiu naquele mês os 9,0%.

Os dados do INE demonstram igualmente que a inflação acumulada desde o início do ano é já de 6,9%, faz ainda notar o PCP, acrescentando que a inflação registada reflecte no fim de contas uma «acelerada perda de poder de compra, uma rápida desvalorização dos salários e das pensões e o empobrecimento de vastas camadas da população com destaque para os trabalhadores e os reformados».

É pois com preocupação que os comunistas vêem a enorme subida da inflação e suas consequências nefastas sobre a vida em geral do País, sobretudo sobre o dia-a-dia de quem vive dos seus salários e pensões, observando que para o aumento registado foram uma vez mais os produtos energéticos que «cresceram em termos homólogos 24% e os produtos alimentares não transformados que cresceram 15,4%, precisamente bens de primeira necessidade».

Atacar a especulação

«A sucessão de anúncios e apelos ao aumento dos preços a que assistimos nos últimos dias confirmam essa relação. São exemplos os mais de 30€ de aumento para o gás canalizado já anunciado a partir de Outubro, o apelo do Governo para o aumento do preço da água, a pretexto da seca, atingindo desde logo as famílias com mais de três elementos, o agravamento em 17% do preço do material escolar, a escalada do preço da carne, do peixe e de outros alimentos essenciais», alerta o PCP.

Mas não é só a inflação que está a crescer vertiginosamente. O PCP chama igualmente a atenção para o facto de os lucros dos grupos económicos ligados à energia, à grande distribuição, à banca, às telecomunicações e outros, estarem a «atingir níveis impressionantes construídos na base da especulação e do agravamento da exploração».

E tudo isto sem que o Governo PS, tal como o PSD, o Chega, a IL e o CDS, façam o que quer que seja para o impedir. Pelo contrário, ao «recusarem o aumento dos salários e das pensões e a regulação dos preços, ao promoverem a política de sanções e de aumento das taxas de juro, estão a servir os interesses dos grupos económicos e a agir contra os interesses dos trabalhadores, do povo e do País», acusa o PCP.



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