Salários melhores exigidos com unidade e greves

Aumentos salariais, para repor perdas e sem discriminações, mas também a melhoria das condições de trabalho, motivaram as greves na Bosch, na Valorsul, no Casino de Chaves e na Transtejo e Soflusa.

É justo e urgente repor as perdas sofridas com o aumento dos preços

A Bosch Car Multimedia, em Braga, «insiste em desvalorizar os salários dos trabalhadores mais antigos e discriminar em direitos (a exemplo, a não aplicação de diuturnidades) os trabalhadores mais novos», acusou o SITE Norte, que convocou a greve de 24 horas, realizada no dia 15, para «dar um sinal de descontentamento», como afirmou o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, numa nota de imprensa que emitiu na véspera da luta.
Um dirigente do sindicato, explicou que mais de 200 trabalhadores, com mais anos de serviço, não tiveram qualquer actualização salarial, enquanto os salários de trabalhadores que entraram mais recentemente e que desempenham funções idênticas àqueles, subiram e, nalguns casos, mais de 100 euros. Em declarações à agência Lusa, ao final da manhã de dia 15, Sérgio Sales ressalvou que não estão em causa estes aumentos, «merecidos e insuficientes», mas a discriminação dos trabalhadores mais antigos.
Além desta «aberrante desvalorização das carreiras, da dedicação e experiências acumuladas», o SITE Norte condenou «os horários desregulados, os ritmos intensos de trabalho, a retirada de direitos às novas gerações, os baixos salários praticados e a pressão exercida sobre os trabalhadores». Na nota, afirma-se que esta situação «tem, não só afastado trabalhadores da empresa, como desgastado quem, com mais ou menos tempo de casa, sempre zelou e pautou o seu trabalho com profissionalismo».
Uma delegação da Direcção da Organização Regional de Braga do PCP foi expressar a solidariedade do Partido para com esta luta, junto dos trabalhadores em greve, que se reuniram no exterior da fábrica.

Com «uma grande adesão», que provocou o encerramento da sala de jogo bancado, fizeram greve, nos dias 16 e 17, os trabalhadores da Solverde no Hotel-Casino de Chaves, exigindo aumentos salariais e cumprimento de direitos, como o pagamento dos subsídios de turno ou trabalho nocturno e do acréscimo por trabalho em dia feriado.
O Sindicato da Hotelaria do Norte assinalou o facto de os trabalhadores em greve se terem reunido no exterior do estabelecimento e junto à sua entrada principal, denunciando a sua situação junto dos participantes de um evento que ali teve lugar no sábado, dia 16.
A forte adesão a esta luta repetiu o que já tinha ocorrido na greve de dias 27 e 28 de Maio, notou o sindicato da Fesaht/CGTP-IN, lembrando que a Solverde paga o salário mínimo nacional à esmagadora maioria dos trabalhadores.

«É uma grande jornada de luta» dos trabalhadores da Valorsul, disse Mário Matos ao Avante!, anteontem à tarde, sobre a greve iniciada à meia-noite e que terminaria na manhã de quarta-feira. O dirigente da Fiequimetal/CGTP-IN e do SITE CSRA destacou a subida dos níveis de adesão, no turno da tarde, esperando que tal tendência se confirmasse à noite.
A administração não apresentou propostas que valorizassem os trabalhadores e, pior, retirou a majoração dos dias de férias para o pessoal em horário geral, protestou o sindicato, num comunicado de dia 17.

 

Transporte fluvial

Começou no dia 18, segunda-feira, com uma adesão de 95 por cento, o ciclo de greves parciais (três horas por turno) na Transtejo, que terminará amanhã, dia 22, adiantou à agência Lusa um dirigente da Fectrans/CGTP-IN. Já na terça-feira, Carlos Costa referiu que a greve na Soflusa, iniciada dia 19 e convocada igualmentea até amanhã, está a ser realizada por categorias profissionais, «hoje foram os mestres, na quarta-feira vão ser os maquinistas, depois marinheiros e os agentes comerciais e chefes de estação».

A federação explicou, dia 15, que os trabalhadores que asseguram a travessia do Tejo entre Lisboa e a Margem Sul exigem aumento dos salários e medidas que combatam a degradação do serviço público, devido à falta de pessoal e ao envelhecimento da frota.

A denúncia destes problemas foi feita, no dia 14, no Barreiro, numa «tribuna pública» realizada pelas estruturas sindicais da CGTP-IN no sector e no distrito. Como revelou a União dos Sindicatos de Setúbal, no documento distribuído à população, na Soflusa, faltam 20 tripulantes e vários maquinistas, sendo que estes chegam a cumprir jornadas de quase 16 horas em cinco dias seguidos.

 



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