Equador em luta há duas semanas
Prossegue desde o dia 13 uma greve nacional no Equador contra a subida dos preços e a insegurança, por melhores condições de vida. Sectores sociais, com destaque para o movimento indígena, reafirmam que a greve continuará até serem alcançados os seus objectivos.
Sectores sociais exigem ao governo medidas para uma vida melhor
No começo da semana, o ambiente era de tranquilidade na maior parte do Equador, 15 dias após o início do protesto social no país. Abrandou a repressão policial e militar contra os grevistas, o governo revogou o estado de excepção decretado em seis províncias e começou um diálogo entre autoridades e o movimento indígena, que convocou as paralisações. Outro dos recuos do governo foi a baixa do preço dos combustíveis, contudo considerada insuficiente.
Defraudada face ao poder que ela própria ajudou a instaurar, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), com o apoio de outras quatro organizações indigenas, afirmou que o protesto continua com carácter nacional e por tempo indefinido e apelou às suas bases unidade e resistência, à espera da resposta governamental à agenda de 10 pontos apresentada há mais de um ano, com reivindicações sociais e económicas que beneficiam toda a população como: controlo de preços de bens de primeira necessidade; a redução do preço dos combustíveis; a moratória e renegociação de empréstimos com redução das taxas de juros e não à apreensão de bens, como casas, por falta de pagamento; parar a privatização de sectores estratégicos; acesso à saúde e à educação; preços justos aos pequenos produtores agrícolas; emprego e direitos laborais; direitos dos povos índigenas; defesa do ambiente; ou a segurança pública.
Na segunda-feira, 27, as principais zonas de protestos estavam calmas, em especial em Quito, capital do país e epicentro do levantamento popular, juntando indígenas e sectores sociais como camponeses, trabalhadores, estudantes, colectivos de mulheres.
O Movimento Revolução Cidadã, de Rafael Correa, apelou à realização de novas eleições parlamentares e presidenciais. Recorde-se que A Revolução Cidadã é alvo da brutal perseguição política por parte do poder equatoriano.