Pobreza, desigualdades e retrocessos sociais motivam protestos nos EUA

Dezenas de milhares de pessoas desfilaram no dia 18 pelo centro de Washington em protesto contra os problemas que afectam os norte-americanos mais pobres e os de baixos rendimentos.

Os participantes na marcha – cerca de 150 mil – empunhavam cartazes com mensagens como «Habitações, não drones», «Esmaguemos juntos o capitalismo» ou «Todos têm direito a viver», frases que reflectem preocupações da sociedade dos Estados Unidos da América, a maior economia mundial.

Os manifestantes, brancos, negros, latinos, asiáticos, famílias jovens com crianças, estudantes, reformados, muitos dos quais oriundos de outros Estados, caminharam pela avenida Pennsylvania até ao Capitólio com exigências a favor da mudança.

A marcha foi promovida pela Campanha dos Pobres, um ressurgimento do movimento organizado por Martin Luther King, assassinado em 1968. «Enquanto houver 140 milhões de pessoas pobres e de baixos rendimentos neste país, não ficaremos em silêncio», asseverou um dos seus líderes que denunciou que nos EUA, as pessoas pobres e de baixos rendimentos vêem-se atingidas em áreas como a saúde, a habitação, a violência armada, o aborto, as condições laborais, o racismo, a imigração, as restrições de voto. A inflação também está a aumentar ao mais rápido ritmo em quatro década, atingindo as pessoas que já estavam em dificuldades para comprar alimentos, pagar a gasolina ou o aluguer de casa.

O Partido Comunista dos EUA e a Liga da Juventude Comunista participaram na manifestação em Washington com bandeiras vermelhas, empunhando dísticos a exortar a unidade das forças progressistas para combater a pobreza e a reafirmar que «A liberdade nunca é dada, tem de ser conquistada».

Entre os cartazes e faixas amarelos e negros, cores da Campanha dos Pobres, também havia cartazes cor-de-rosa pertencentes à Codepink, contra os gastos militares do Pentágono e o financiamento das guerras, verbas essas que poderiam servir para resolver problemas sociais urgentes.

Limitado direito ao aborto nos EUA

Multiplicam-se os protestos populares junto do Supremo Tribunal (ST) dos EUA, em Washington, e em outras cidades norte-americanas, contra a decisão que eliminou a proteção federal do direito ao aborto.

Cidades como Nova Iorque, Chicago, Los Angeles, Atlanta e Seattle foram também palco de manifestações a favor da liberdade de interrupção voluntária da gravidez, que até agora era uma prática legal garantida a nível federal desde 1973.

A decisão do ST foi aprovada por seis dos nove juízes da mais alta instância judicial dos EUA. A maioria conservadora do ST decidiu revogar os precedentes estabelecidos no passado pelo próprio tribunal que protegiam aquele direito. Assim, as autoridades estaduais poderão proibir o aborto nos seus Estados, o que já acontece em nove deles.




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