Ferroviários canadianos em greve

António Santos

Quando a CN, companhia pública de caminhos-de-ferro canadiana, propôs um aumento salarial de 2,67 por cento, 750 trabalhadores fizeram as contas: no Canadá, a inflação já atingiu os 6,8 por cento e não dá sinais de abrandar; o novo contrato será válido para os próximos cinco anos; sem eles não há comboios. Eles são os trabalhadores que garantem as comunicações ferroviárias e tratam da sinalética; que fazem a manutenção das linhas e dão resposta a todas as emergências. São eles que, desde sábado, estão em greve total, de duração indefinida e até o patrão ceder.

Os ferroviários exigem aumentos salariais acima da taxa de inflação, fins-de-semana de dois dias e compensação pelos longos períodos de trabalho longe de casa na vastidão do Canadá. Dizendo-se disponíveis para negociar, os gestores da CN não perderam tempo a accionar um «plano de contingência operacional» para garantir que o trabalho prossegue «em segurança e a níveis normais». Na realidade, trata-se de um plano para sabotar a greve, recorrendo à substituição de grevistas e à perigosa redução do número mínimo de trabalhadores necessários para operar um comboio de carga.

A CN, que transporta anualmente 300 milhões de toneladas de mercadorias ao longo de todo o continente, escuda-se nos maus resultados económicos que vem registando ao longo dos últimos três anos, que atribui à COVID, às disrupções nas cadeias de abastecimentos e, mais recentemente, à guerra. A verdade, porém, é que os trabalhadores da CN conhecem há muito a intransigência do patrão que, já em 2019, os obrigou a uma greve de uma semana a que aderiram 3200 trabalhadores.

Assim, os ferroviários do Canadá juntam-se a um poderoso e ascendente movimento global de luta no sector ferroviário onde se contam já 50 mil grevistas no Reino Unido (a maior greve em muitas décadas) e 140 mil trabalhadores nos EUA, em negociações mas prontos para a greve.




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