Lembrete
Todos estamos recordados da operação em torno do Orçamento do Estado para 2022 visando levar o PS à maioria absoluta. A chantagem sobre o PCP que, ou aceitava um OE que não respondia às necessidades do País ou seria arrastado para eleições, «carregando a culpa» de uma crise política que o Governo do PS e o Presidente da República tinham urdido. Passados nove meses desde Outubro, com o OE entretanto aprovado, da imagem do «orçamento mais à esquerda de sempre» só sobra a piada.
Os exemplos multiplicam-se, dos salários às pensões, do investimento público à resposta a problemas como o da habitação, o que verificamos é que esse Orçamento não respondia e não responde.
Um dos exemplos mais reveladores desta realidade é a actual situação no Serviço Nacional de Saúde, com a multiplicação de encerramentos de unidades diversas – obstetrícia, pediatria e outras – por falta de médicos e outros profissionais. Nada para o qual o PCP não tivesse alertado quando afirmava que era necessário salvar o SNS impondo medidas que, no curto prazo, fixassem e atraíssem profissionais de saúde. Medidas que implicavam o reforço dos incentivos, quer para zonas carenciadas, quer para a assegurar a fixação de médicos em regime de dedicação exclusiva no SNS. Sem isso, os profissionais do SNS continuariam a ser alvo do assalto dos grupos privados do negócio da doença. E é isso que se está a verificar neste momento.
Na verdade, o Governo PS não está interessado em enfrentar o negócio de milhões dos grupos CUF, Lusíadas e outros. A ausência de valorização das carreiras e das profissões dos trabalhadores do SNS é a única medida que os privados precisam para o continuar a esventrar, debilitando-o até ao ponto em que este deixe de ter o carácter universal que o define.
Como dissemos, ter aprovado essa proposta de OE, indo ao encontro da chantagem do PS, não só não resolveria os problemas do País como tornaria o PCP cúmplice de uma estratégia de favorecimento dos grupos privados. Estratégia com a qual o PS está comprometido, tal como PSD, CDS, Chega e IL, pese embora as lágrimas de crocodilo que todos os dias vão carpindo sobre o «caos no SNS».