Parabéns senhor João!

João Frazão

Para os mais distraídos talvez seja necessário lembrar que no passado domingo, 1 de Maio, se assinalou, por todo o mundo, o Dia Internacional do Trabalhador, jornada maior da luta dos trabalhadores, de denúncia da exploração a que são sujeitos, de exigência de melhores salários, de melhores condições de trabalho, de melhores horários.

Dia Internacional do Trabalhador que, homenageando as vítimas da brutal repressão policial à greve no longínquo ano de 1886, em Chicago, pela redução do horário de trabalho, reconhece a relação antagónica entre trabalho e capital e a particular fragilidade do primeiro face ao segundo.

Enquanto o primeiro-ministro se afirmava preocupado com a pobreza laboral ao mesmo tempo que abjurava qualquer aumento de salários, a ministra do Trabalho do Governo do PS decidiu fazer a sua aparição pública, neste dia, não numa acção de valorização do trabalho e dos trabalhadores, mas na festa de aniversário do Sr. João, um empresário da construção, em que participavam os trabalhadores da empresa.

Um dos convivas disse a uma televisão que «tendo em conta que é o 1.º de Maio, e que é um feriado, o senhor João tem por hábito convidar os trabalhadores, os fornecedores, os parceiros, os amigos». E, questionado sobre as dificuldades da empresa, destacou que iriam «aproveitar a presença da senhora ministra para a tentar sensibilizar nesse sentido também para apoiar as empresas do Interior».

Assobiando para o lado perante o facto de que, como são os trabalhadores que produzem toda a riqueza, terem sido eles também que pagaram as bifanas e o caldo verde (não desfazendo da ementa que possa ter sido mais requintada), mas mestre no seu papel de conciliadora de classes, a ministra do PS circulou pela festa de aniversário distribuindo sorrisos e cumprimentos e aproveitou o ensejo para anunciar os milhões que já distribuiu às empresas para financiar empregos que, presume-se, lhes fazem falta. Sobre os direitos de quem trabalha não era preciso dizer nada, uma vez que eles até vão à festa de aniversário do patrão!

Nós só não fomos porque estávamos na luta. Mas olhem, também não ficamos de fora. Parabéns, senhor João!




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