Ramadão sangrento na Palestina ocupada
Forças israelitas invadiram diversas vezes a Mesquita de Al-Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ferindo e prendendo centenas de pessoas. Em 2022, Israel já matou 47 palestinianos e mantém nos seus cárceres 4.450 presos políticos.
Ataques israelitas provocaram centenas de feridos e detidos palestinianos em Jerusalém Oriental
As forças de segurança israelitas irromperam mais uma vez, na segunda-feira, 18, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, e expulsaram numerosos fiéis palestinianos para permitir a entrada de colonos judeus.
Em pleno Ramadão, mês de jejum e orações para os muçulmanos, a tensão na zona estalou no dia 15, com o assalto por militares israelitas à Mesquita de Al-Aqsa, que faz parte desse complexo religioso, situado na zona ocupada da cidade. Centenas de palestinianos ficaram feridos ou foram detidos durante o assalto.
Nos dias seguintes, militares israelitas voltaram a invadir a esplanada para expulsar palestinianos ali presentes e proteger a entrada dos judeus que queriam visitar o lugar a pretexto de celebrar o Pessach, festividade que assinala o início do êxodo do povo judeu, de acordo com as suas tradições.
O lugar é venerado tanto por muçulmanos, que o apelidam Esplanada das Mesquitas, como pelos judeus, que o conhecem por Monte do Templo. Israel ocupou a zona oriental de Jerusalém na guerra de 1967 e desde então mantém ali o seu domínio, apesar das resoluções em contrário das Nações Unidas.
Em Ramala, o porta-voz da presidência da Palestina, Nabil Abu Rudeina, condenou os ataques e exortou o governo dos Estados Unidos da América a travar as agressões do seu aliado ao terceiro santuário mais sagrado do Islão. «Responsabilizamos o governo israelita por esta escalada e instamos a administração norte-americana a que quebre o seu silêncio e detenha esta agressão que inflamará a região», declarou.
Ataques na Cisjordânia
As forças israelitas feriram gravemente, na segunda-feira, 18, dois palestinianos e prenderam outros 16, em diversos assaltos na Cisjordânia, alvo de uma operação militar desde há duas semanas.
O Ministério da Saúde palestiniano precisou que durante o assalto à aldeia de Al Yamoun, no norte do território, um cidadão foi atingido a tiro na cabeça e pescoço e outro nas costas. Os militares ocupantes efectuaram buscas em numerosas habitações da localidade, onde prenderam três pessoas.
Na província de Belém, as tropas prenderam mais nove palestinianos e em Ramala mais quatro.
Pelo menos 10 pessoas, incluindo duas mulheres e três menores de idade, morreram na Cisjordânia desde o começo de mais esta ofensiva das tropas de Telavive.
Dia do Preso Palestiniano
Cerca de 4450 palestinianos estão em cárceres israelitas, incluindo 32 mulheres e 160 menores de idade, assim como duas centenas de doentes crónicos.
Por ocasião do Dia do Preso Palestiniano, 17 de Abril, a agência noticiosa Wafa divulgou alguns dados recolhidos por organizações não-governamentais.
Desde o início de 2021, as forças israelitas prenderam 2.140 palestinianos.
Do total destes presos políticos, 530 sofrem a chamada «detenção administrativa», utilizada por Israel para prender palestinianos por períodos renováveis que oscilam entre os três e seis meses, na base de provas não reveladas nem aos advogados de defesa.
Oito parlamentares palestinianos continuam presos, entre os quais Marwan Barghouti, dirigente da Fatah, e Ahmed Saadat, líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina.
O Dia do Preso Palestiniano assinala-se desde 1974 para destacar a luta pela libertação dessas pessoas, unificar esforços para apoiá-los e defender os seus legítimos direitos.
Desde o início de 2022, as forças ocupantes mataram 47 palestinianos, incluindo oito crianças e duas mulheres. O número é cinco vezes superior ao de igual período do ano passado. Em 2021, os israelitas mataram 355 palestinianos e feriram 16500.