À consignação
Os diversos canais que enformam a televisão portuguesa têm-se aplicado, como bem se justifica, a acompanhar os acontecimentos havidos desde a fronteira polaco-russa (em Kalininegrado) até à Ucrânia ou vice-versa. Será excessivo que os classifiquemos como guerra, ainda que «fria», mas é óbvio que não se situam muito longe disso, e é também evidente que constituem para a Rússia mais que um embaraço político e/ou que um pequeno problema militar. Não é que a Rússia corra ali o perigo de uma fragorosa derrota militar, mas o risco de um desaire político com implicações na zona parece poder arrastar consequências várias, desde perda de prestígio até à redução de efectiva influência. Temos, pois, que a questão se configura de facto como uma prometida derrota política da Rússia ou, dizendo-o de outro modo e/ou de um outro ponto de partida, como uma vitória dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos, que juntamente com a NATO e a União Europeia são os principais instigadores desta confrontação, averbam assim uma espécie de vitória à consignação graças à presença directa da Polónia que, sempre tendendo à hostilidade perante a Rússia, se disponibilizou para servir de rampa de lançamento de uma campanha anti-Rússia. Talvez um dia seja possível fazer uma espécie de inventário dos serviços que a Polónia tem prestado ao Ocidente mais ou menos atlântico e do desembaraço com que este se tem servido da disponibilidade da Polónia: inscreva-se mais este nessa imaginária lista e não o esqueçamos durante pelo menos algum tempo. Pode ser que isso nos ajude a entender o que irá acontecendo. E, nestes casos, no entendimento é que está o ganho.