EUA e NATO são quem ameaça a paz e a segurança na Europa

Sendo ainda prematuro um balanço final dos recentes encontros da Rússia com os EUA e a NATO, o imperialismo norte-americano parece apostado em continuar a intensificar a tensão no Leste da Europa, através da Ucrânia.

A escalada de confrontação do imperialismo aumenta as tensões internacionais, incluindo na Europa

Lusa

A inserção e instrumentalização da Ucrânia na estratégia de confrontação da NATO constitui uma ameaça para a paz e a segurança na Europa. As recentes conversações, suscitadas pela Rússia, terão sido «decepcionantes», a ter em conta a reacção de responsáveis deste país: ficaram claras as posições «totalmente divergentes» entre as duas partes, apesar de uma semana de intensa diplomacia.

A 17 de Dezembro último, a Rússia propôs acordos com os EUA e a NATO sobre garantias de segurança mútua, particularmente na Europa.

Entre as várias propostas apresentadas, a Rússia pretende que seja travada a expansão da NATO para junto das suas fronteiras, nomeadamente, não alargando aquele bloco político-militar à Ucrânia e à Geórgia. Recorde-se que após a dissolução do Pacto de Varsóvia, em 1991, a NATO alargou-se à Letónia, à Estónia, à Lituânia, antigas repúblicas soviéticas, para além de a vários países que formavam anteriormente o campo socialista.

A Rússia pretende também que não sejam deslocadas para junto das suas fronteiras mais forças militares da NATO.

No dia 10 de Janeiro realizaram-se em Genebra conversações entre delegações da Rússia e dos EUA e a 12 celebrou-se em Bruxelas a reunião do Conselho Rússia-NATO. E, no dia seguinte, em Viena, teve lugar mais uma ronda de conversações, no quadro da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O contínuo alargamento da NATO ao Leste da Europa, e consequente agravamento da tensão na região, particularmente após o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 – comprovadamente promovido e apoiado por EUA, NATO e UE –, levou ao poder naquele país forças reaccionárias e nacionalistas, incluindo de índole fascista, que têm conduzido a Ucrânia ao papel de peão na estratégia agressiva do imperialismo naquela região.

Promessa por cumprir

A Rússia tem sublinhado o incumprimento das promessas dos EUA nos anos 90, referindo-se ao não alargamento da NATO para Leste. Uma promessa que a Rússia diz não ter sido assumida de forma juridicamente vinculativa pelos EUA e que não foi honrada por estes, tendo a NATO continuamente avançado até às fronteiras da Rússia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, qualifica aquele bloco político-militar de «arma de confrontação» e não de paz, insistindo na ameaça que constitui o seu alargamento – não só para a Rússia mas também para o conjunto da «arquitectura da segurança europeia».

A Rússia tem denunciado a crescente presença de forças da NATO em território ucraniano, sob a forma do envio de instrutores militares e de armamento.

São estas circunstâncias que levaram a Rússia a apresentar propostas visando melhorar a segurança colectiva, incluindo o cessar da expansão da NATO para o Leste da Europa e a limitação da concentração de forças militares junto das suas fronteiras.

Peskov lamentou que estas propostas tenham sido rejeitadas pelos EUA e a NATO, considerando que há o risco de as tensões aumentarem, apelando a que se encontre um caminho que assegure garantias de segurança.

Tensões continuam

Entretanto, os EUA, a NATO e a UE continuam a utilizar a Ucrânia na sua estratégia de confrontação contra a Rússia, afirmando o seu apoio à política do regime ucraniano relativamente ao Donbass. Incluindo à sua não aceitação e aplicação dos Acordos de Minsk, que apontam o caminho para uma solução política e pacífica para o conflito que perdura desde o violento golpe de Estado de 2014 e dos massacres que lhe sucederam, como o perpetrado por grupos fascistas em Odessa a 2 de Maio desse mesmo ano.

Para os EUA e os seus aliados da NATO, a Ucrânia não é mais que um instrumento de pressão e ameaça sobre a Rússia, daí o continuo reforço da presença de meios militares da NATO neste país, incluindo muitos milhares de «instrutores militares».




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