Emprego sob chantagem no parque da VW Autoeuropa

O SITE Sul repudiou o comportamento das multinacionais que acumulam há décadas lucros de milhões de euros e obtêm apoios do Estado, mas tratam como descartáveis os obreiros do seu sucesso.

Apesar dos resultados históricos, não houve aumentos salariais

A administração da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, com o pretexto da crise dos semicondutores e da epidemia, «está a criar um clima de instabilidade no seio dos trabalhadores, através da chantagem e do medo relativamente à manutenção de todos os postos de trabalho, no preciso momento em que se iniciam as negociações das reivindicações para o ano de 2022».

Ao lançar este alerta, numa nota de imprensa sobre a situação laboral na empresa, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) observou que isto acontece pouco depois de a administração ter anunciado que 2021 será o terceiro melhor ano de sempre na fábrica da multinacional alemã da indústria automóvel. Os cerca de 210 mil veículos produzidos representam mais 9,6 por cento do que o resultado do ano anterior. E 2020 já tinha sido o terceiro melhor ano.

No entanto, «no ano de 2021, apesar dos resultados históricos anunciados, os trabalhadores não tiveram nenhuma actualização salarial, numa altura em que o custo de vida aumenta vertiginosamente».

O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN frisou, contudo, que nas empresas fornecedoras da VW Autoeuropa, instaladas no seu parque industrial, «a situação assume proporções ainda mais alarmantes e preocupantes», porque aquelas tentam «manter os lucros a qualquer custo».

Depois de a Autoeuropa ter comunicado que, no primeiro trimestre de 2022, não há produção aos sábados e domingos, e são alteradas as tarifas dos contratos com os fornecedores, as administrações de empresas como a Vanpro, a Gefco, a SMP ou a SAS, entre outras, avançaram para o despedimento de trabalhadores com contratos de trabalho a prazo e de trabalho temporário.

Houve mesmo empresas que «decidiram ainda avançar com o despedimento de trabalhadores efectivos» e «atacar os direitos» (retirando o pagamento do subsídio de turno), revelou o sindicato, na nota de 22 de Dezembro.

O SITE Sul «repudia e condena estas atitudes por parte das administrações destas multinacionais, incluindo a própria VW Autoeuropa, que ao longo de décadas têm vindo a acumular lucros de milhões de euros e que até recentemente receberam apoios do Estado português, no âmbito do lay-off ou do AERP (Apoio extraordinário à retoma progressiva da actividade) devido à crise gerada pela COVID-19, para depois se descartarem desta forma dos trabalhadores que contribuíram directamente para o sucesso das empresas».

 



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