Amiga

Correia da Fonseca

A televisão vem fazendo o seu trabalho que na circunstância é de prevenção e ajuda, justificadamente se diria até que de amizade: informa-nos das andanças e mudanças do vírus que se tornou o mais perigoso dos nossos inimigos, e bem se diz que quem nos avisa nosso amigo é. Assusta, mas esta é uma das circunstâncias em que o susto é salutar. Até aconteceu que o vírus «foi à bola», digamos assim, e por lá produziu alguns estragos de que a TV nos fez algum relato sumário. Esperemos, naturalmente, que os homens vençam mais este inimigo inesperado de que vamos sabendo os malefícios e de que até conhecemos o aspecto, pois a TV mostra-nos a sua imagem que sem ser propriamente medonha acaba por parecer-nos terrível. Não é que olhá-la nos ajude muito no combate que com ele se trava, mas é um indício das capacidades humanas para defrontar perigos, e é com essas capacidades que podemos vencer o inimigo invisível que nos ronda.

A crédito

Temos, pois, que a televisão se revela do nosso lado, digamos assim, e esse é um ponto favorável que é agradável registar: bem sabemos que nem sempre é assim e que são muitas as ocasiões em que ela se torna tóxica ou coisa pior. Porém, talvez não seja excessivo que aproveitemos esta circunstância pelo menos simpática para formular o desejo de que sempre ela esteja assim, empenhada em ajudar-nos e nunca aplicada a contar-nos venenosas estórias de carochinha. A televisão, que veio para o nosso quotidiano há já bem mais que um par de décadas, nem sempre se tem portado bem, isto é, nem sempre nos tem ajudado, como aliás bem sabemos, e não é de espantar que recordemos os maus e perigosos caminhos para que muitas vezes nos empurra. De cada vez que nos mente em questões graves, e aliás também as que não o sejam, a televisão atraiçoa-nos, o que é uma muito feia acção. Que ela se revele amiga, aliada, num combate cuja importância ainda não é totalmente conhecida mas desde já se mostra de elevado grau, é um factor positivo, talvez até motivo de alguma gratidão. Não chega, porém, para a lavar de todos os seus pecados, que são muitos e grandes. Adoptemos uma formulação comercial, como os tempos actuais recomendam, e digamos que fica a crédito da sua conta.




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