Alegria e combatividade na afirmação dos direitos da juventude

No sábado, 13, centenas de jovens dirigiram-se a Matosinhos para assinalar o 42.º aniversário da Juventude Comunista Portuguesa, promoveram um grandioso desfile, dois concertos e um jantar-comício, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa e outros dirigentes do PCP e da JCP.

«Por onde passa um jovem comunista, passa luta, transformação e nada fica igual»

Foi ao final da tarde que se deu início à iniciativa daquela que é justamente designada como a organização revolucionária da juventude portuguesa – a JCP. O cenário de uma imensidão de bandeiras vermelhas que se abateu sobre a cidade nortenha foi impressiva: 400 jovens militantes comunistas e amigos a desfilarem desde a praia de Matosinhos, pelas principais ruas e avenidas, até à Escola Secundária Augusto Gomes, local onde se realizou o jantar-comício.

As faixas que os jovens trouxeram de diferentes regiões do País explanavam reivindicações concretas, algumas constantes em toda a história da JCP, outras mais recentes mas nem por isso menos justas e urgentes: a defesa da Escola Pública, a valorização do Ensino Profissional, o fim das propinas no Ensino Superior, o aumento dos salários, a democratização e a universalidade do desporto, a exigência de pelo menos um por cento do Orçamento do Estado para a cultura, paz, habitação e a afirmação de que o capitalismo não é verde, são apenas alguns dos exemplos.

À frente, a encabeçar o corpo do desfile e a assinalar o Centenário do PCP – como não poderia deixar de ser –, ia uma faixa onde se lia «O Futuro tem Partido – Liberdade, Democracia, Socialismo».

As faixas não foram o único elemento que transmitiam os sentimentos – tão característicos da JCP – de irreverência, combatividade e alegria colocadas pelos comunistas na luta de todos os dias. Palavras de ordem como «o aumento do salário, é justo e necessário», «propina e Bolonha, é tudo uma vergonha» ou «JCP, Juventude do PC», soaram insistentemente ao longo de todo o cortejo.

Durante o percurso calcorreado pelos jovens comunistas, a Comissão Concelhia de Matosinhos e a Direcção da Organização Regional do Porto do PCP saudaram a iniciativa e a comemoração que lhe dava sentido.

Comunistas presentes no Porto e no resto do País

Já dentro do pavilhão da Escola Secundária Augusto Gomes, e depois de servido o jantar, entre várias palavras de ordem que iam irrompendo e demonstrando a vivacidade dos jovens ali presentes, chegou o momento do comício, no qual participou o Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa (ver caixa).

Francisco Jesus, membro da Comissão Regional de Matosinhos e da Organização Regional do Porto da JCP e do seu executivo, foi o primeiro a intervir: «A luta continua, em todo o País, em todo o mundo, e nós aqui na região do Porto nunca vamos abandonar os jovens nas suas ambições de uma vida melhor na escola e no local de trabalho», afirmou o jovem dirigente depois de saudar os vários processos de luta desenvolvidos nos últimos tempos no distrito do Porto, como a luta organizada pelos estudantes da Escola Artística Soares dos Reis ou a tribuna pública da JCP contra as propinas, em frente à Reitoria da Universidade do Porto.

«Vamos bater-nos todos os dias pela melhoria das condições de vida dos jovens, pela resposta que é preciso dar aos problemas do País, pelo reforço da CDU e pela concretização do programa do nosso Partido, uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal», acrescentou.

«Por isso, pedimos aos camaradas de todo o País que saiam desta iniciativa com ainda mais energia e entrega para esta nossa causa tão bela e justa», apelou ao terminar.

«Podem contar com a JCP»

Inês Rodrigues, membro da Comissão Política da JCP, começou por lembrar a mensagem que Álvaro Cunhal deixou no encontro de unificação da União dos Estudantes Comunistas com a União da Juventude Comunista, em 1979: «Do coração desejamos que a Juventude Comunista, com os pés assentes na terra, tenha capacidade para sonhar e força e determinação para transformar o sonho em vida.»

«Nestes 42 anos, camaradas, não tirámos os pés do chão e nem por um segundo desistimos de sonhar», afirmou a dirigente. «Os pés no chão das ruas, das escolas e locais de trabalho, e ombro com ombro, com a juventude portuguesa, em todas as suas lutas, atentos a cada um dos seus problemas», acrescentou.

Hoje, como no passado, a JCP está de mãos dadas com os estudantes do ensino secundário, profissional, ensino superior e com os jovens trabalhadores. Aliás, com os jovens de todo o mundo em que «o imperialismo norte-americano e os seus aliados aumentam a sua agressividade, atacando os direitos da juventude». Neste mundo, «persiste e reforça-se de actualidade a Federação Mundial da Juventude Democrática», lembrou também a jovem comunista.

«Por onde passa um jovem comunista, passa luta, transformação e nada fica igual», sublinhou a dirigente, acrescentado que os jovens que querem mudar o mundo podem «contar com a JCP e o PCP». Mas, «mais do que contar, precisamos que se juntem a nós» para dar mais força à «luta organizada da juventude», apelou Inês Rodrigues ao concluir a sua intervenção.

«Vamos a eleições com confiança porque contamos com este energia e determinação dos jovens comunistas. Levamos daqui o vosso compromisso na luta por uma sociedade mais justa e livre da exploração», concluiu.

 

Uma JCP reforçada é um PCP reforçado

«Antes de mais, deixem-me partilhar convosco uma ideia», pediu Jerónimo de Sousa no início da sua intervenção em Matosinhos, perante as quatro centenas de jovens presentes: «é raro o dia em que nos meios de comunicação social dominantes, não surjam comentadores, analistas e jornalistas a anunciar o declínio irreversível do PCP, quando não a sua morte», continuou, acrescentando: «Se esses estivessem estado aqui, nas ruas de Matosinhos, se aqui estivessem neste convívio, seria melhor começarem a pensar “querem ver que morro primeiro que o Partido Comunista Português?”»

Saudando os jovens comunistas presentes, o Secretário-geral do PCP estendeu o cumprimento aos que «todos os dias nas suas escolas, nos seus locais de trabalho, nas suas associações, nas suas múltiplas actividades, assumem a condição de militantes dos direitos da juventude, dos seus interesses e aspirações». Indo ainda mais longe, Jerónimo de Sousa endereçou também uma saudação à juventude portuguesa, «à sua generosidade na defesa das causas certas, à sua entrega e mobilização por um mundo melhor».

Para o dirigente comunista, a JCP é, sobretudo, uma «organização de jovens ligados à vida, aos movimentos juvenis, que persistem no objectivo de transformar o sonho em vida e fazer desse Abril» – que nenhum dos jovens ali presentes conheceu – «realidade na vida de cada um».

Decidir o futuro do País

Face aos muitos problemas que jovens portugueses enfrentam nos dias que correm, «o Governo e o PS optaram pelos interesses do grande capital, que continua a acumular riqueza faça chuva ou faça sol, haja pandemia ou não haja». «Optaram por pôr à frente dos interesses do País, as imposições da União Europeia e do euro», acrescentou.

«O Presidente da República anunciou a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições antecipadas para 30 de Janeiro. Vamos a elas com confiança. Nestas eleições vai discutir-se o presente e o futuro do País», exclamou Jerónimo de Sousa.

Para prosseguir o caminho do fim das propinas; assegurar mais acção social escolar; garantir melhores condições nas escolas; assegurar o aumento geral dos salários; combater a precariedade; assegurar o direito à habitação; defender a cultura; assegurar mais apoios ao movimento associativo e para da consequência à luta em defesa do ambiente é indispensável o «reforço do PCP e da CDU, mais votos e mais eleitos».

Compromissos e vontades

A terminar, o Secretário-geral do Partido assumiu levar dali, de Matosinhos, o compromisso dos jovens comunistas e da sua organização revolucionária de prosseguir a «luta por uma sociedade mais justa, livre da exploração, livre das injustiças, livre das desigualdades iníquas que crescem a cada dia que passa, não obstante as imensas capacidades para lhes pôr cobro». E, também, «esta disposição de não baixar os braços»e essa «vontade imensa de transformar a vida, de transformar o mundo, de pegar nos valores de Abril e, com eles, fazer o caminho de progresso e de paz que queremos construir».

 

Património de luta imensurável

A Juventude Comunista Portuguesa cumpriu, no passado dia 10 de Novembro, 42 anos desde a sua constituição, no Encontro da Unificação da União dos Estudantes Comunistas (UEC) com a União da Juventude Comunista (UJC), realizado no Pavilhão do Sacavenense, em Loures.

No entanto, em alguns momentos históricos, os jovens comunistas não tiveram organização própria, integrando movimentos mais vastos, como o Movimento de Unidade Democrática Juvenil e o Movimento da Juventude Trabalhadora, já na fase final da ditadura fascista, que daria origem mais tarde à UJC.

A JCP e as suas antecessoras directas também não foram as primeiras expressões organizadas da juventude comunista. Logo em 1921, poucos meses após a fundação do Partido, foram criadas as Juventudes Comunistas, e na sequência da reorganização de 1929 foi constituída a Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas. A UEC surgiu no início da décadas de 70 e a UJC já após a revolução.

No referido encontro, de 1979, Álvaro Cunhal manifestou a convicção de que a JCP desenvolveria a sua actividade «na directa continuidade e na linha das tradições de combate do movimento juvenil comunista em Portugal», dando como exemplo o seu papel na defesa dos direitos da juventude, na luta do povo nos últimos anos da ditadura e no decurso do processo da Revolução portuguesa, bem como na defesa do regime democrático.

No momento em que nascia a JCP, o então Secretário-geral realçava a determinação, dedicação, coragem e combatividade da juventude portuguesa e da sua vanguarda revolucionária, e colocava à nova organização como principais tarefas a necessidade de «unir milhares de jovens, construir um poderoso movimento pelos interesses e direitos económicos, sociais, profissionais, culturais e políticos da juventude».

 



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