Italianos exigem fim dos grupos fascistas
Mais de 100 mil pessoas manifestaram-se no centro de Roma, condenando o recente ataque à sede da CGIL e exigindo ao governo e parlamento a dissolução das organizações neonazis e neofascistas.
«Nós deixámos de falar com os fascistas em 25 de Abril de 1945»
Com a participação de dezenas de milhares de pessoas, uma manifestação antifascista promovida pelo movimento sindical repudiou no sábado, 16, em Roma, o recente assalto à sede principal da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL).
A praça San Giovanni, no centro da capital italiana, foi o palco principal da manifestação convocada pela CGIL, pela Confederação Italiana de Sindicatos de Trabalhadores (CILS) e pela União Italiana do Trabalho (UIL) e apoiada por outras organizações sindicais e por diversas forças políticas e movimentos sociais.
Entusiasmo e colorido caracterizaram a mobilização, na qual homens e mulheres de diferentes gerações agitaram bandeiras, entoaram palavras de ordem e empunharam faixas e cartazes com frases como «Fascismo nunca mais» e «Nós deixámos de falar com os fascistas em 25 de Abril de 1945», uma referência à vitória da resistência antifascista italiana e ao fim da ocupação nazi de Itália durante a II Guerra Mundial.
Numa intervenção durante a mobilização de Roma, o secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini, acentuou que «não só somos capazes de resistir como estamos aqui para aplicar a Constituição, nascida na luta de resistência e na vitória sobre o fascismo e o nazismo, e é justo por isso que a sua aplicação norteie o relançamento do nosso país». Nesse sentido, pediu ao governo italiano que, com o apoio do parlamento, dissolva as organizações que se identificam com o fascismo e a violência.
Também a confederação sindical COBAS reclama a aplicação definitiva da Constituição italiana no ponto em que proíbe «a reorganização, sob qualquer forma, do partido fascista dissolvido», garantindo que o fascismo é para ser combatido «sem ses nem mas». Condenando o ataque à sede da CGIL, a COBAS recusa que se procure reduzir à actuação dos grupos fascistas o significado da manifestação de dia 9 de Outubro, contra o Green Pass, após a qual se deu o assalto.