Centenário de João Machado assinalado em Montemor-o-Novo

O PCP assinalou anteontem, no Cineteatro Curvo Semedo, o centenário do nascimento de João Machado, militante comunistas e resistente antifascista cuja entrega à luta pela liberdade, a democracia e o comunismo ainda inspira o colectivo.

Manteve uma imensa dedicação ao Partido

A iniciativa, ocorrida ao final da tarde desta terça-feira, na terra onde nasceu João Machado, Montemor-o-novo, começou com a leitura dos poemas «Bandeira Rubra» e «Hino de Caxias», por Nuno Cacilhas, e a actuação de um coro. Em seguida foram lidos trÊs depoimentos: de Miguel Gonçalves, da JCP, Francisco Roque, resistente antifascista que conviveu e trabalhou com João Machado, e da filha, Margarida Machado.

A encerrar a homenagem, integrada nas comemorações do Centenário do PCP, usaram da palavra Manuela Bernardino, em nome da URAP, e João Dias Coelho, membro da Comissão Política do Partido.

Vida dedicada ao ideal comunista

Nascido a 14 de Setembro de 1921, em S. Mateus, concelho de Montemor-o-Novo, João Machado era filho de pequenos agricultores, tendo começado a trabalhar na agricultura, com os pais e os irmãos mais velhos, com sete ou oito anos. Operário agrícola de profissão, ainda trabalhou durante cerca de três anos como operário dos caminhos-de-ferro e três anos como empregado de balcão numa pequena oficina de Montemor-o-Novo.

A sua formação política foi-se consolidando a partir da guerra civil de Espanha até que, em Agosto de 1943, com 22 anos, se filia no PCP. Dois anos depois participa nas jornadas de luta por melhores salários para os trabalhadores agrícolas e está entre os muitos presos dessas lutas. A sua segunda prisão deu-se em 1947, na sequência das lutas dos operários agrícolas pelo direito ao trabalho, contra a fome e a miséria. Em 1949 é preso pela terceira vez pela sua participação activa na campanha eleitoral de Norton de Matos.

João Machado voltaria a ser preso em 1958 quando integrava uma manifestação contra a burla eleitoral. Em 1961, quando organizava e participava nas jornadas de luta pelas oito horas de trabalho nos campos do Sul, a GNR tentou prendê-lo, mas conseguiu fugir, passando um ano na clandestinidade. Acabaria por ser preso em 1962. Ao todo, contou com mais de um década de cativeiro nos cárceres fascistas de Caxias, Aljube e Peniche.

Depois do 25 de Abril, tornou-se funcionário do Partido e teve um papel importante na organização concelhia de Montemor-o-Novo e na Organização Regional de Évora. Foi um activo participante nas lutas pela democratização do País e pela Reforma Agrária. Manteve uma imensa dedicação ao Partido até ao fim, vendendo o Avante! no concelho, montado na sua bicicleta.

Morreu no dia 22 de Março de 2012. João Joaquim Machado, o «Machadinho», como era conhecido em Montemor-o-Novo, permanece como um exemplo de dedicação à causa da classe operária e dos trabalhadores, ao ideal e ao projecto comunistas.



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