Mota-Engil tem de negociar salários e direitos na EGF

Numa acção do «circuito nacional de denúncia», em Portalegre, dia 30 de Agosto, o STAL, a Fiequimetal e os trabalhadores da Valnor reafirmaram que não cedem à estratégia patronal no Grupo EGF.

Desde a privatização degradam-se as condições de trabalho

Trabalhadores da empresa de valorização de resíduos que assegura o tratamento dos resíduos sólidos de 25 municípios dos distritos de Castelo Branco, Santarém e Portalegre, reuniram-se numa «tribuna pública», na Praça da República desta cidade.

Uma resolução, intitulada «Pelo direito à negociação colectiva: Salários dignos, respeito pelas categorias, subsídios de risco», foi aprovada por unanimidade e depois entregue em mão aos destinatários. Para isso, os trabalhadores desfilaram até junto das instalações da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) e da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

«Os trabalhadores da Valnor, à semelhança de todos os outros que asseguram a recolha dos mais de 35 mil ecopontos em todo o País, estão a ser castigados com salários de miséria», denunciou no decorrer da tribuna pública a coordenadora da União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA/CGTP-IN). Helena Neves, citada pela agência Lusa, salientou que os salários dos trabalhadores estão congelados há mais de uma década, mas a administração do Grupo EGF (Mota-Engil) impõe o bloqueio das negociações.

«Há quase uma década que apenas os salários mais baixos dos trabalhadores da Valnor são actualizados, e por via do aumento do salário mínimo nacional», afirma-se na resolução, notando que «todos os restantes salários permanecem sem actualização, ao mesmo tempo que se intensifica o ritmo de trabalho, as funções se acumulam e o custo de vida aumenta».

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e a Fiequimetal (com os seus sindicatos representativos em empresas do Grupo EGF), estão a promover um «circuito nacional de denúncia» das práticas patronais, cujo percurso foca locais de trabalho das diversas empresas, expondo publicamente problemas específicos e um contexto comum.

Um plenário de trabalhadores da Resinorte, em Celorico de Basto, seguido de deslocação para o centro da vila, onde decorreu uma tribuna pública, teve lugar a 2 de Agosto.

A 26 de Julho realizou-se em Aveiro uma tribuna pública, envolvendo trabalhadores da ERSUC, no largo junto à estação ferroviária. A 20 de Julho, realizou-se uma tribuna pública em Guimarães, com participação de trabalhadores da Resinorte. Em Coimbra, no dia 12 de Julho, a Praça 8 de Maio recebeu trabalhadores da ERSUC para a primeira iniciativa do «circuito», na qual, intervieram, entre outros, a Secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.

 

Também pelo ambiente

«Desde a privatização da EGF – que passou a integrar a Mota-Engil – em 2014, que nas 11 empresas do grupo, incluindo a Valnor, se tem assistido a uma constante degradação das condições de trabalho.
Estas empresas, que servem 174 municípios e empregam cerca de 3500 trabalhadores, em 167 infra-estruturas, são fundamentais para os objectivos da sustentabilidade de que tanto se fala, mas para os quais, no concreto, pouco se faz.
Proteger o Ambiente implica defender os trabalhadores das empresas do Grupo EGF! Implica defender que tenham melhores condições de trabalho e vínculos efectivos, para que o lixo dos 35 mil ecopontos espalhados pelo País não acabem num aterro!»

(Excerto da resolução aprovada em Portalegre)

 



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