Fora Bolsonaro
A situação actual no Brasil é inquietante. Jair Bolsonaro, conhecido criador de fake news, continua a ser apanhado em sucessivas mentiras e contradições e a não surpreender com as atitudes mais bizarras e golpistas.
No meio de uma crise política, social e institucional de incalculáveis proporções, em que a extrema gravidade da situação sanitária é apenas uma ponta do iceberg, a inflação dispara para níveis alarmantes. O preço da energia eléctrica galga sem controlo (entre Janeiro e Agosto deste ano, o custo da energia eléctrica ao consumidor subiu três vezes). O preço dos combustíveis sobe exponencialmente: a gasolina aumentou nove vezes, em 2021 (28%), atingindo o preço mais alto dos últimos 20 anos. O real desvalorizou face ao dólar. O preço de diversos alimentos básicos (entre os quais, o leite, óleo de soja, carne de «segunda», arroz, feijão) subiu mais de 40% desde o início da epidemia. O desemprego bate recordes (mais de 20 milhões de desempregados). O Brasil regressa ao mapa da fome. Mais de 580.000 mortes por COVID-19 colocam o País no segundo lugar do fúnebre ranking mundial de óbitos causados pela epidemia. A corrupção alastra. A esperança média de vida baixa. As liberdades, os serviços públicos e os direitos são alvos de ataque sistemático. A democracia é ameaçada e a destruição do meio ambiente prossegue a ritmo acelerado.
Pois bem, é neste quadro – de que, como instrumento do grande capital e do imperialismo, é o grande responsável – que Jair Bolsonaro, o Presidente do Brasil que frequentemente se declara saudoso da ditadura fascista, veio, alto e bom som, proclamar (quer dizer, bolçar) que, em vez de arroz e feijão, o que faz falta aos brasileiros é comprar armas: «tem que todo o mundo que comprar fuzil. Povo armado jamais será escravizado».
O povo brasileiro sabe, por experiência própria, que as ameaças da extrema-direita e fascistas são sempre para levar a sério. Por isso mesmo tem lutado para se ver livre de tamanho pesadelo. E, no próximo dia 7 de Setembro (Dia da Pátria, no Brasil) volta a sair à rua com o grito «fora Bolsonaro». Exactamente porque não aceita ser escravizado. E porque sabe que ao Brasil o que faz falta não é fuzil, é justiça e progresso social.